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O apagão da mão de obra no campo

No Dia do Trabalho, especialista traz um alerta: investimos em tecnologia e genética, mas esquecemos de cuidar de quem cuida da fazenda

emprego
A agropecuária brasileira mantém papel central na geração de empregos, na renda rural e na competitividade econômica do País

Por Juliana Antonangelo, da redação  |  juliana@dc7comunica.com.br

A escassez de mão de obra no campo, problema que antes era ignorado, hoje se impõe como um dos principais desafios do agronegócio brasileiro. Eduardo Valias, fundador e CEO da Valias Desenvolvimento, chama atenção para um tema urgente: o “apagão da mão de obra” e explica como o Brasil chegou a essa crise silenciosa e quais os caminhos possíveis para enfrentá-la.

Eduardo Valias, chama atenção para um tema urgente: o “apagão da mão de obra” e explica como o Brasil chegou a essa crise silenciosa e quais os caminhos possíveis para enfrentá-la. Foto: FeedFood

Segundo o especialista em recursos humanos, “desde sempre tivemos muita mão de obra disponível”, e apontou períodos históricos como a época da escravidão e a chegada dos imigrantes europeus e asiáticos.  Com isso,  conforme explicou, “focamos em desenvolver máquinas, genética animal, suplementação… e esquecemos do ser humano.” Para Eduardo, o setor demorou a perceber que a realidade estava mudando. “Há 10 anos, não estaríamos falando de pessoas. Estaríamos falando de tecnologia, de nutrição, de produtividade”, ressaltou.

Hoje, a falta de profissionais qualificados atinge pequenas e grandes propriedades. Mas, para o especialista, a solução está na profissionalização da gestão rural. “Toda fazenda é uma empresa e tem que ser gerida como tal”, defende. Isso inclui processos claros de atração, contratação, retenção e até de demissão. “Quando não há estrutura, o proprietário fica refém de pessoas que não gostaria que estivessem ali.”

Uma das ferramentas mais simples e eficazes que o agro ainda subutiliza, segundo Eduardo, é a rede social. “Tem ótimos exemplos no Brasil. É uma ferramenta barata, de graça, e 90% dos funcionários de fazenda estão conectados.” Ele destaca que, muitas vezes, produtores ainda encaram as redes como algo supérfluo, mas esquece-se que elas também funcionam como vitrine para atrair e reter talentos. “O nosso funcionário está conectado com o Instagram do meu vizinho, vendo que a fazenda lá talvez seja muito melhor para ele profissionalmente.”

O impacto das redes vai além da contratação. Valias compartilhou a experiência da Fazenda Cigana, referência na pecuária de corte, e de Gerson, um peão de Santa Catarina. “Ele recebe mensagens de pessoas querendo trabalhar com ele. O Gerson usa o Instagram para mostrar o que sabe fazer. Isso mostra o quanto essa comunicação é real e poderosa.”

Outro ponto sensível abordado foi a bonificação. Para Eduardo, a recompensa por desempenho precisa ser justa e transparente, ou pode gerar o efeito contrário. “A bonificação não resolve problema nenhum sozinha. O que mais faz as pessoas irem embora é o sentimento de injustiça.” Ele acredita que metas, organogramas e critérios claros são essenciais para que a bonificação funcione como ferramenta de valorização, e não de frustração. “Não adianta bonificar um e deixar três descontentes. Tem que ter clareza sobre o que se valoriza.”

Neste 1º de Maio, a fala de Eduardo ecoa como um lembrete necessário: a revolução no campo começa pelas pessoas. “Vamos fazer a coisa certa. Vamos cuidar das pessoas melhor do que a gente cuida do gado.” Afinal, sem gente, não há agro que se sustente.

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