Marcelo Macaus, da Redação
Um programa nutricional planejado, alinhado ao manejo em cada fase de produção, contribui para a saúde e eficiência dos suínos. O tema foi debatido no 17º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS), em Chapecó (SC), com foco na influência da dieta sobre a imunidade e na experiência europeia após a proibição do óxido de zinco (ZnO).
O médico-veterinário Alex Hintz apresentou dados sobre o impacto das doenças na suinocultura global e destacou que enfermidades respiratórias e entéricas elevam a mortalidade de animais jovens, reduzem o ganho de peso, pioram a conversão alimentar e aumentam os custos com medicamentos. Ele defendeu o uso de estratégias nutricionais para fortalecer o sistema imunológico, ressaltando o papel de proteínas, aminoácidos, minerais e aditivos como ácidos orgânicos e óleos essenciais.
Hintz também destacou que pesquisas na área de nutrição humana, incluindo estudos realizados durante a pandemia de Covid-19, oferecem informações aplicáveis à alimentação animal. Segundo ele, essas evidências reforçam a importância de vitaminas e nutrientes específicos no enfrentamento de doenças.
Para o especialista, além de inovações, é necessário atenção às práticas básicas. Isso inclui densidade energética adequada, monitoramento de aminoácidos e um manejo nutricional que considere o panorama geral da produção, integrando diferentes fatores que influenciam o desempenho.

O engenheiro agrônomo Leandro Hackenhaar abordou a experiência da União Europeia, que proibiu o uso farmacológico do ZnO devido ao acúmulo de zinco no solo. Embora reconheça a eficácia do aditivo no controle de problemas entéricos e no desempenho de leitões, ele relatou que, sem o ZnO, países europeus intensificaram medidas de biossegurança, ajustaram dietas e investiram em manejo para manter os índices produtivos.
Entre as ações citadas estão idade adequada de desmame, ingestão de matéria seca antes do desmame, higiene das baias, qualidade da água e uso de alimentos de alta digestibilidade. Hackenhaar também comentou sobre o uso de fibras e suplementação como alternativas complementares, reforçando que “o manejo vem em primeiro lugar”.
Para o especialista, o banimento do ZnO é tendência em outros mercados e merece atenção no Brasil. Ele defendeu que qualquer medida deve considerar a realidade nacional, incluindo a análise da qualidade do solo e o monitoramento de riscos de contaminação antes de uma eventual mudança regulatória.

Fonte: MB Comunicação Empresarial/Organizacional, adaptado pela equipe FeedFood
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