Marcelo Macaus, da Redação
A suinocultura brasileira produz mais de cinco milhões de toneladas de carne por ano e ultrapassa um milhão de toneladas exportadas, ocupando a quarta posição no ranking mundial. Para atender mercados com exigências específicas, empresas do setor vêm ampliando programas de bem-estar animal em diferentes etapas da produção.
O tema foi abordado no painel de sustentabilidade e bem-estar animal que abriu a programação científica do 17º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS), promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), em Chapecó (SC).
A médica-veterinária Charli Ludtke, moderadora do painel, destacou que decisões de manejo impactam diretamente as condições dos animais. Entre as referências citadas, está a primeira normativa nacional de bem-estar na suinocultura, publicada em 2020, que define práticas de manejo com foco em conforto e qualidade produtiva.
Representantes de agroindústrias apresentaram iniciativas implementadas nos últimos anos. Na BRF, a consultora de bem-estar Josiane Busatta falou sobre o programa “Feito na BRF”, criado em 2015, que contempla alimentação, ambiente, saúde, comportamento natural, manejo e capacitação. Entre as ações, estão a adequação do método de eutanásia, eliminação da mossa como identificação, enriquecimento ambiental e gestação coletiva.

Na Frimesa, a responsável técnica de sanidade e bem-estar animal em Assis Chateaubriand (PR), Kauany Dalle Molle, relatou aprimoramentos em manejo, treinamentos e inovações na granja e na indústria, com reflexos na redução de perdas e melhoria do processo.
O gerente de fomento da Pamplona, Fabrício Beker, citou a imunocastração de suínos machos, veículos de transporte adaptados, migração para gestação coletiva até 2026, eliminação da mossa e restrição ao uso de antibióticos promotores de crescimento. O executivo mencionou ainda o projeto de granjas com fêmeas soltas também na maternidade.
Na Seara Alimentos, o gerente executivo de sustentabilidade agropecuária, Vamiré Sens, destacou o compromisso assumido em 2015 de substituir células individuais por alojamentos coletivos, com 98% das granjas já adequadas. Segundo ele, as mudanças refletem em melhor desempenho dos animais, aproveitamento de ração e resultados econômicos.
Para Sens, o bem-estar animal está integrado à sustentabilidade e à produção de alimentos. “Não é possível separar o bem-estar de fatores que afetam o planeta, a vida das pessoas e a cadeia produtiva”, afirma.

Fonte: SBSS, adaptado pela equipe FeedFood
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