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Mudanças na distribuição de doenças animais exigem atenção, indica relatório da WOAH

Estudo internacional alerta para a expansão geográfica de doenças infecciosas e ressalta a importância da abordagem integrada entre saúde animal, humana e ambiental

antimicrobiano

Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br

A Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH) divulgou recentemente seu primeiro relatório anual sobre a situação da saúde animal no mundo, reunindo dados de 195 países membros. O documento destaca alterações importantes no padrão de disseminação de doenças infecciosas em animais terrestres e aquáticos, com impactos potenciais para a saúde pública, a segurança alimentar e o comércio internacional.

Um dos pontos centrais do relatório é a constatação de que diversas enfermidades estão alcançando novas regiões geográficas, exigindo maior atenção e cooperação entre os países. É o caso da peste suína africana, que em 2024 chegou ao Sri Lanka após percorrer mais de 1.800 quilômetros desde o foco mais próximo, e da peste dos pequenos ruminantes, que reapareceu na Europa após anos restrita a países em desenvolvimento.

A influenza aviária também continua a preocupar, com um aumento significativo de casos em mamíferos — mais que o dobro em relação ao ano anterior. Em 2024, foram registrados 1.022 surtos em 55 países, contra 459 em 2023. Embora a transmissão entre humanos ainda não tenha sido confirmada, a WOAH alerta para o risco de adaptação do vírus, o que torna essencial o monitoramento constante.

A influenza aviária também continua a preocupar, com um aumento significativo de casos em mamíferos — mais que o dobro em relação ao ano anterior

Outro dado relevante do relatório é que quase metade das doenças notificadas (47%) possuem potencial zoonótico, ou seja, podem ser transmitidas dos animais para os seres humanos. Esse dado reforça a importância da abordagem “Uma Só Saúde”, que integra saúde animal, humana e ambiental de forma coordenada.

A organização também chama a atenção para os desafios enfrentados em programas de vacinação animal, especialmente em países de baixa renda, onde o acesso a vacinas ainda é limitado. O relatório defende o uso de estratégias baseadas em evidências científicas e tecnologias emergentes para melhorar a cobertura vacinal e reduzir a necessidade do uso de antibióticos — cujo consumo global em animais caiu 5% entre 2020 e 2022.

Para a WOAH, o relatório marca um passo importante na construção de um panorama global mais transparente e colaborativo sobre a saúde animal. A expectativa é de que o documento sirva de base para políticas públicas mais eficazes, fortalecendo a capacidade dos países de responder a surtos e prevenir impactos mais amplos sobre o meio ambiente, o comércio e a vida humana.

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