Mesa de Mercado · CEPEA
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Milho ganha suporte com estoques menores nos EUA; soja depende da demanda

USDA aponta maior aperto no cereal e oferta mais confortável na oleaginosa.

Milho e soja passaram a apresentar cenários distintos no mercado internacional após a atualização de agosto do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Enquanto os estoques menores aumentaram a sensibilidade do milho a novas alterações de oferta e demanda, a soja segue condicionada à necessidade de maior procura pelo grão.

Na soja, a produção norte-americana para 2026/27 foi elevada para 122,99 milhões de toneladas. A revisão ocorreu porque o aumento da área colhida compensou a redução da produtividade, que passou de 53 para 52,7 bushels por acre, equivalente a cerca de 59,07 sacas por hectare.

Soja encontra oferta maior nos EUA

Os estoques finais norte-americanos de soja subiram para 8,71 milhões de toneladas, enquanto as exportações permaneceram praticamente sem alteração na revisão mensal. O USDA manteve em 115 milhões de toneladas a projeção de importações da China para 2026/27.

Para Isabella Pliego, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, a evolução da demanda será determinante para uma reação mais consistente das cotações.

Lavouras de milho e soja ilustram os diferentes cenários de oferta e demanda que influenciam as cotações dos grãos no mercado internacional. Crédito: Reprodução.

O USDA também manteve a produção brasileira da oleaginosa em 186 milhões de toneladas para 2026/27, com exportações projetadas em 118 milhões.

Milho perde margem nos estoques

No milho, o cenário norte-americano ficou mais ajustado. A produção de 2026/27 foi projetada em 406,75 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais recuaram de 45,46 milhões em julho para 41,98 milhões de toneladas em agosto. As exportações foram elevadas para 83,19 milhões.

O USDA destacou que o aumento das exportações e a redução dos estoques elevaram o uso frente à oferta disponível, levando também a uma revisão para cima do preço médio projetado ao produtor nos Estados Unidos.

No Brasil, o relatório manteve a produção de milho em 139 milhões de toneladas, mas elevou o consumo doméstico de 98 milhões para 100 milhões e reduziu os estoques finais de 11,1 milhões para 10,1 milhões.

Para o produtor brasileiro, a formação de preços continuará dependendo também do câmbio, dos prêmios de exportação e do ritmo das vendas externas.

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