Mesa de Mercado · CEPEA
Bezerro MSR$ 3.390,78
Bezerro SPR$ 3.182,01
Boi GordoR$ 338,65
Soja PRR$ 127,64
Soja PortoR$ 133,87
MilhoR$ 63,45
Suíno Carc.R$ 8,60
Suíno PRR$ 4,66
Suíno SCR$ 5,00
Suíno SPR$ 5,27
Bezerro MSR$ 3.390,78
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Boi GordoR$ 338,65
Soja PRR$ 127,64
Soja PortoR$ 133,87
MilhoR$ 63,45
Suíno Carc.R$ 8,60
Suíno PRR$ 4,66
Suíno SCR$ 5,00
Suíno SPR$ 5,27

Preço do suíno precisa ser analisado em conjunto com o custo de produção, afirma APCS

Cotação isolada não permite avaliar a rentabilidade, a capacidade de investimento e a sustentabilidade da granja.

No mercado de suínos, a primeira pergunta costuma ser direta: qual é o preço? A cotação é uma referência fundamental para produtores, compradores e demais agentes da cadeia, mas, isoladamente, não revela o resultado econômico da atividade.

Para Valdomiro Ferreira Junior, presidente da Associação Paulista dos Criadores de Suínos (APCS), a análise do mercado precisa considerar também o custo de produção e a margem obtida pelo produtor. “Preço sem custo de produção é uma fotografia incompleta”, afirma.

Segundo Ferreira Junior, o produtor não administra apenas o valor recebido pela venda dos animais. O resultado depende da diferença entre a receita obtida e todos os recursos empregados para produzir com qualidade, sanidade, regularidade e segurança.

É justamente nessa diferença, segundo ele, que está a capacidade da granja de manter suas operações, enfrentar períodos de maior pressão sobre os custos e realizar novos investimentos.

Cotação mostra o mercado; custo revela a realidade da granja

Ferreira Junior destaca que enquanto o preço do suíno é uma informação pública e visível, o custo de produção é construído diariamente dentro de cada propriedade. “Duas granjas podem comercializar animais pela mesma referência de mercado e, ainda assim, encerrar o ciclo com resultados completamente diferentes. Alimentação, conversão alimentar, peso de venda, sanidade, mortalidade, energia, mão de obra, manutenção, transporte, financiamento e eficiência da gestão estão entre os fatores que interferem diretamente na conta”, afirma.

Ele destaca que também precisam ser considerados custos relacionados à reposição de equipamentos, adequações ambientais, investimentos em biosseguridade, depreciação das instalações e capital de giro necessário para sustentar o próximo ciclo. “Por isso, classificar uma cotação como “boa” ou “ruim” sem saber quanto custa produzir pode levar a uma interpretação incompleta do cenário”, afirma. “O número da venda precisa ser comparado com o custo por quilo produzido e com a capacidade de esse resultado financiar a continuidade da propriedade”, destaca o presidente da APCS.

Valdomiro Ferreira Junior, presidente da Associação Paulista dos Criadores de Suínos (APCS).

Alimentação tem peso importante na formação do custo

Na suinocultura, a alimentação representa uma das principais parcelas do custo operacional. Milho, farelo de soja, vitaminas, aminoácidos e outros componentes das rações exercem influência direta sobre a rentabilidade da atividade. “Quando esses insumos mudam de preço, a mesma cotação do suíno pode representar uma margem completamente diferente para o produtor. A análise, entretanto, não deve considerar apenas o preço de compra do milho ou do farelo. Formulação da ração, conversão alimentar, desperdícios, armazenagem, logística, qualidade dos ingredientes e planejamento das compras também interferem no custo final”, afirma Ferreira Junior.

Por isso, segundo ele, a avaliação precisa avançar do preço individual dos insumos para o custo efetivo por quilo de suíno produzido. “Essa perspectiva considera que a atividade não consiste apenas em comprar insumos e vender animais. O produtor transforma recursos, manejo, conhecimento, tecnologia e gestão em produção, enquanto administra diferentes níveis de risco”, aponta.

Eficiência é essencial, mas não elimina os riscos

Buscar eficiência é uma necessidade permanente da gestão. Segundo Ferreira Junior, reduzir perdas, acompanhar indicadores produtivos, manter a sanidade do plantel, planejar compras e profissionalizar a administração são medidas importantes para melhorar os resultados. “Mas eficiência interna não torna a granja imune às oscilações do mercado. Mesmo propriedades bem administradas estão expostas à volatilidade dos preços dos insumos, ao custo do crédito, às condições de comercialização, às exigências regulatórias e ao comportamento do consumo”, diz.
Para Ferreira Junior, é importante distinguir aquilo que está sob controle direto da propriedade dos fatores externos que precisam ser acompanhados e, quando possível, antecipados.

A gestão, segundo ele, nesse sentido, envolve três perguntas:

  • O que depende diretamente da granja?
  • O que pode ser enfrentado por meio de planejamento e organização coletiva?
  • O que exige representação e diálogo entre os diferentes elos da cadeia?

“Essa separação ajuda a evitar dois problemas: atribuir ao mercado ineficiências que poderiam ser corrigidas dentro da propriedade ou responsabilizar exclusivamente o produtor por desequilíbrios externos”, afirma Ferreira Junior.

Quatro indicadores para interpretar o preço do suíno

Segundo a APCS, uma avaliação mais completa da situação econômica da granja começa quando a cotação é analisada em conjunto com outros indicadores.

Custo por quilo produzido: quanto a propriedade efetivamente gasta para produzir cada quilo de suíno?

Relação de troca: quanto do produto precisa ser comercializado para adquirir os principais insumos?

Necessidade de capital: o resultado da operação é suficiente para sustentar o fluxo financeiro da propriedade até o próximo recebimento?

Capacidade de reinvestimento: existe margem para manutenção, sanidade, adequações ambientais, tecnologia e sucessão?

“Essas variáveis não eliminam a volatilidade do mercado, mas ajudam a interpretar o momento com maior precisão. Uma alta na cotação pode representar alívio financeiro sem necessariamente gerar margem suficiente. Da mesma forma, uma estabilidade do preço pode esconder aumento dos custos Uma melhora pontual também pode não ser suficiente para compensar perdas acumuladas em ciclos anteriores. Por isso, a análise precisa considerar tendências e não apenas o comportamento da cotação em uma semana específica”, explica Ferreira Junior.

O preço do suíno é uma informação essencial, mas seu significado econômico só aparece quando confrontado com o custo efetivo de produção.

Associativismo pode ampliar o poder de decisão

O produtor independente mantém sua autonomia, mas pode contar com mecanismos coletivos para melhorar o acesso a informações e condições de negociação. Na avaliação de Ferreira Junior, a atuação da APCS envolve duas frentes complementares. A Bolsa de Comercialização de Suínos do Estado de São Paulo oferece uma referência organizada para a comercialização, enquanto o Consórcio Suíno Paulista atua nas compras, reunindo produtores em busca de escala e eficiência.

Uma frente contribui para qualificar a referência de venda. A outra busca atuar sobre a estrutura de custos. Nenhuma delas elimina os riscos do mercado ou controla os preços. O objetivo, segundo o dirigente, é reduzir assimetrias de informação, ampliar referências e melhorar as condições para a tomada de decisão. “Isso é associativismo aplicado à realidade econômica da granja”, resume.

Sustentabilidade da granja interessa a toda a cadeia

O preço do suíno é uma informação essencial, mas seu significado econômico só aparece quando confrontado com o custo efetivo de produção. “A questão não se restringe ao produtor. Quando a margem permanece pressionada por períodos prolongados, diminui a capacidade de investimento em instalações, biosseguridade, tecnologia, adequações ambientais e sucessão. Os efeitos podem alcançar fornecedores, municípios, indústria, varejo e demais segmentos ligados à cadeia produtiva”, afirma Ferreira Junior. ” Por isso, o custo de produção deve ser tratado como uma variável estratégica para a sustentabilidade e a competitividade da suinocultura. Uma cadeia competitiva depende de produtores eficientes, referências transparentes, planejamento de compras, relações comerciais equilibradas e diálogo entre os diferentes elos”, diz.

Preço informa o mercado. Custo revela a sustentabilidade da produção. Margem indica a capacidade de seguir produzindo e investir no próximo ciclo.

Para Ferreira Junior, essa combinação de indicadores é fundamental para que produtores e demais profissionais do setor façam uma leitura mais completa do mercado de suínos e tomem decisões com base não apenas na cotação, mas no resultado efetivamente gerado pela atividade.

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