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Milho de Mato Grosso avança nas vendas com clima no radar

Com 47,32% da safra 2025/26 negociada até maio, produtores acompanham pressão de oferta, exportações e incertezas para o próximo ciclo

Os produtores de Mato Grosso negociaram 47,32% da produção estimada de milho da safra 2025/26 até o fim de maio. O índice, divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) na segunda-feira (8), representa avanço de 1,02 ponto percentual em relação ao mesmo período da safra anterior.

O movimento ocorre em meio ao avanço da colheita e à maior disponibilidade do cereal no mercado estadual. Segundo o Imea, esses fatores têm levado produtores a intensificar as vendas, ao mesmo tempo em que o aumento da oferta pressiona as cotações do milho em Mato Grosso.

Em maio, o preço médio do grão no estado ficou em R$ 42,73 por saca. Para Milena Bezerra, analista de mercado do Imea, o ritmo de comercialização indica ajuste das estratégias dos produtores diante do cenário de oferta elevada. “Mato Grosso caminha para mais uma grande safra de milho, o que amplia a disponibilidade do produto tanto para o mercado interno quanto para as exportações”, destacou.

Safra futura exige cautela

Apesar do avanço nas negociações da safra atual, o cenário para o próximo ciclo ainda é marcado por incertezas. A comercialização antecipada da safra 2026/27 chegou a 4,77% da produção estimada até maio, alta de 2,08 pontos percentuais em relação ao mês anterior, mas ainda 0,82 ponto percentual abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.

A cautela está ligada, principalmente, às dúvidas sobre o comportamento climático no segundo semestre. A possibilidade de um El Niño mais intenso preocupa o setor, já que alterações no regime de chuvas podem afetar a soja e, por consequência, a janela de plantio do milho na próxima safra.

“A previsão de um El Niño mais intenso neste ano pode impactar a soja e, consequentemente, afetar a janela do milho na próxima safra. Esse cenário já se reflete nas negociações da safra 2026/27, que tem cerca de 5% da produção comercializada até o momento”, afirmou Milena. Segundo ela, o percentual é menor que o registrado no mesmo período da safra atual, enquanto os preços seguem mais pressionados.

Comercialização do milho em Mato Grosso chegou a 47,32% da safra 2025/26 até maio, em cenário de maior oferta e atenção ao clima para o próximo ciclo. Crédito: Reprodução

Exportações e indústria entram no radar

Mato Grosso também teve peso relevante nas exportações brasileiras de milho em maio. O estado embarcou 121,03 mil toneladas do grão, equivalente a 48,55% do volume exportado pelo Brasil no mês. Conforme o Imea, o resultado foi o quinto maior já registrado para maio e representou aumento de 207,36% em relação ao período anterior.

Na safra 2024/25, o estado já exportou 24,03 milhões de toneladas de milho, volume 1,68% superior ao total registrado em toda a safra passada. Mesmo com junho ainda em andamento, o ciclo atual já aparece como o terceiro maior da série histórica de exportações de milho de Mato Grosso.

Além do mercado externo, a industrialização do milho também aparece como ponto de atenção para o estado. Na terça-feira (9), a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato) recebeu representantes da Fufeng Group Limited, empresa chinesa que avalia a possibilidade de instalar uma unidade industrial voltada à produção de lisina e treonina, aminoácidos utilizados na alimentação animal.

A projeção inicial apresentada prevê capacidade de produção de 240 mil toneladas anuais de lisina e 60 mil toneladas de treonina, com demanda estimada de aproximadamente 560 mil toneladas de milho por ano. Durante a reunião, a comitiva buscou informações sobre disponibilidade de matéria-prima, infraestrutura logística e programas estaduais de incentivo à industrialização.

Para o setor produtivo, o interesse industrial reforça a discussão sobre agregação de valor ao milho produzido em Mato Grosso. A verticalização pode criar novas alternativas de demanda para o cereal, mas ainda depende de análise de viabilidade, infraestrutura, logística e decisões de investimento.

Fonte: Imea e Famato, adaptado pela equipe Feed&Food

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