A principal associação da indústria de carne do México afirmou na última terça-feira que pretende dobrar as exportações de carne bovina para os Estados Unidos no próximo ano, buscando compensar as perdas decorrentes do fechamento da fronteira devido a um surto de mosca-da-berne que continua paralisando o comércio de gado, informou a Reuters.
Nos primeiros quatro meses do ano, as exportações mexicanas de carne bovina para os EUA aumentaram cerca de 23%, segundo autoridades da Câmara Mexicana da Carne, que afirmaram que a carne fresca representa a maior parte do que é exportado.
Em 2026, as exportações de carne bovina para os EUA devem crescer 10,6%, atingindo cerca de US$ 2,3 bilhões, de acordo com dados da associação.
“Aumentamos… se pudermos dobrar, será excelente”, disse Macarena Hernandez, diretora-geral da associação, à Reuters em um evento da entidade.
A fronteira dos EUA está fechada para o gado mexicano há cerca de um ano, enquanto o México trabalha para conter um surto do parasita mosca-da-berne, que se espalhou do norte da América Central, afetando as indústrias de gado e carne bovina dos EUA e do México. A interrupção forçou uma mudança fundamental e custosa em todo o setor pecuário mexicano, já que os pecuaristas que normalmente enviariam animais vivos para o norte estão se esforçando para mantê-los, alimentá-los e, eventualmente, processá-los internamente para exportação como carne bovina, um processo que normalmente leva 18 meses.
Os produtores estão tendo que “manter esses animais, alimentá-los, ter espaço e suprimentos” para sustentá-los, disse Hernandez.

O fechamento da fronteira resultou em perdas de cerca de US$ 1,8 bilhão para o setor pecuário mexicano, segundo a câmara. Embora a exportação de carne bovina abatida e processada no México em oposição ao gado vivo ofereça uma alternativa, os volumes ainda são pequenos porque a transição está apenas começando, afirmou ela.
O México registrou 25.107 casos de mosca-varejeira desde novembro de 2024, de acordo com dados do governo até 17 de maio, o que destaca a escala do surto enquanto as autoridades continuam a lidar com sua disseminação. Destes, 1.190 casos permanecem ativos.
Embora o estado de Chiapas, no sul do país, continue a registrar o maior número de casos, o padrão geográfico do surto mudou, com Veracruz e Puebla agora concentrando os maiores focos de infecção ativa. Os casos em cães também aumentaram, e o governo relatou uma infecção confirmada em um cão na Cidade do México em abril.
O México, em coordenação com autoridades americanas, está distribuindo moscas estéreis por estados do norte, incluindo Tamaulipas, Nuevo León e San Luis Potosí, bem como em uma zona de amortecimento de cerca de 89 quilômetros (55 milhas) ao sul do Texas, como parte dos esforços para conter a disseminação do surto de moscas-varejeiras em direção ao norte.
Um pilar fundamental da estratégia mexicana é uma nova planta de produção de moscas estéreis em Metapa, Chiapas, que, segundo o governo, está cerca de 75% concluída e deve começar a operar até o final de junho.
Fonte: The Cattle Site, adaptado pela equipe da Feed&Food
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