Caroline Mendes, de São Paulo (SP)
O mercado pecuário brasileiro vem apresentando movimentos contrastantes, de acordo com os dados mais recentes do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). No caso do boi gordo, a baixa demanda tem mantido pressão sobre as cotações. Em várias regiões do país, como Tocantins, Norte de Minas, Goiânia, Centro-Sul da Bahia, Mato Grosso e Noroeste do Paraná, os preços da arroba registraram queda de R$ 3 a R$ 5 na última semana. O cenário é explicado pelo fato de que grande parte das escalas de abate já está completa com lotes previamente contratados, reduzindo a necessidade de novas negociações no mercado físico. Apesar disso, em estados como Mato Grosso do Sul e Pará os preços permaneceram mais firmes, mesmo diante de um ambiente de pressão negativa.
Enquanto o mercado do boi enfrenta dificuldades, a suinocultura brasileira comemora a ampliação do comércio internacional. O Chile saltou para a segunda posição entre os principais destinos da carne suína do Brasil em julho e agosto deste ano, ultrapassando a China. As exportações ao país cresceram de 7,7 mil toneladas em janeiro para 13,3 mil toneladas em agosto, chegando ao pico de 14,5 mil toneladas em julho. O avanço está diretamente ligado ao reconhecimento do estado do Paraná, em julho, como livre de febre aftosa sem vacinação e de peste suína clássica, decisão tomada pelo governo chileno após avaliação realizada em abril. Essa mudança sanitária reforçou a confiança no produto paranaense, impulsionando a demanda.

As Filipinas seguem como o principal destino da carne suína brasileira desde fevereiro, mas a ascensão do Chile ao segundo lugar mostra a importância da diversificação de mercados e do fortalecimento das condições sanitárias na abertura de novas oportunidades. Assim, enquanto pecuaristas de boi precisam lidar com preços mais pressionados pela fraca demanda, produtores de suínos enxergam no comércio internacional um caminho de expansão e valorização de sua produção.
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