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Gestão e nutrição são chaves para aumentar eficiência da cria bovina, defende Felipe Bortolotto

Durante o 5º Fórum Pecuária Brasil, promovido pela Datagro, especialistas destacaram os gargalos e as oportunidades da cria para o avanço da pecuária nacional

cria bovina

Camila Santos, de São Paulo (SP)

A cria bovina, etapa fundamental para a sustentabilidade e a evolução da pecuária brasileira, foi o tema central da apresentação conduzida por Felipe de David Bortolotto, gerente de Tecnologia Bovinos de Corte da Nutron Cargill, durante o 5º Fórum Pecuária Brasil, realizado em São Paulo (SP).

Segundo Bortolotto, embora o setor tenha avançado em gestão e tecnologia, ainda há muito espaço para melhorias. “A cria é a parte mais atrasada em aplicação tecnológica. Melhoramos muito, mas ainda temos muito a evoluir em produtividade, gestão e negócio”, destaca.

O palestrante fez questão de ressaltar os desafios inerentes ao sistema de produção. “No Brasil, o intervalo médio de partos é de 15 meses. Uma vaca leva nove meses e meio de gestação, em média sete meses de lactação, um ano de recria e só então segue para engorda. Ou seja, se alguém decidir hoje lançar uma marca de carne própria, levará três anos até ter o produto na gôndola. Não é uma corrida de 100 metros, é uma maratona”, explica.

Indicadores e pilares da eficiência na cria

Bortolotto reforçou a importância de trabalhar com indicadores de desempenho na cria, como quilos de bezerro desmamado por hectare/ano, que dependem de fatores como manejo de pasto, genética, reprodução, sanidade e nutrição.
“Temos que ter visão 360 graus da cria. Fertilidade, correção de solo, eficiência de pastejo e score de condição corporal da vaca são básicos que, quando bem feitos, abrem espaço para tecnologias mais avançadas”, diz.

Uma das provocações deixadas foi a possibilidade de aumentar a produção sem ampliar o rebanho. “Temos 160 milhões de hectares de pasto no Brasil, sendo 70% destinados à cria. É possível produzir mais bezerros com menos vacas, aumentando a eficiência e a qualidade”, afirma.

cria bovina
David Bortolotto é gerente de Tecnologia Bovinos de Corte da Nutron Cargill (Foto: FeedFood)

Entre os pontos técnicos, o palestrante destacou a importância da nutrição de precisão e da atenção ao terço médio de gestação: “É nesse período que 95% das fibras musculares do bezerro são formadas. Se faltar proteína ou minerais, teremos animais de menor qualidade no futuro”.

Além disso, Bortolotto enfatizou a necessidade de monitorar o score de condição corporal, que influencia diretamente a fertilidade e os índices de desmama.

Ao exemplificar os custos da cria, Bortolotto mostrou como a melhoria de indicadores impacta diretamente a rentabilidade. “Hoje, com taxa média de desmama de 60%, o custo do bezerro fica em torno de R$ 2.000,00. Se saltarmos para 70%, esse custo cai para R$ 1.700,00, um ganho de R$ 300,00 de eficiência por animal”, pontua.

O painel foi encerrado com reflexões sobre o futuro da pecuária de cria no Brasil. Entre os pontos levantados estavam a possibilidade da cria confinada, maior integração lavoura-pecuária, uso de ferramentas digitais e atenção à pegada de carbono. “A vaca de cria representa grande parte das emissões do setor. Investir em eficiência nesse elo pode ser a chave para reduzir impactos ambientais e abrir novas oportunidades de valorização”, conclui.

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