Por I Camila Santos – camila@dc7comunica.com.br
O mercado do boi gordo iniciou fevereiro sem uma tendência clara de valorização, com os preços da arroba mantendo-se entre R$ 325 e R$ 327 pela quarta semana consecutiva, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Esalq/USP. O cenário reflete a cautela dos frigoríficos, que aguardam um possível aumento na oferta de animais a pasto, enquanto pecuaristas buscam negociar valores um pouco mais altos. No atacado da Grande São Paulo, a carcaça casada registrou leve recuo, passando de R$ 22/kg no final de janeiro para R$ 21/kg na primeira semana de fevereiro.
Os dados mais recentes apontam que, apesar da estabilidade nas vendas de carne no atacado, a exportação apresentou retração, influenciada pelo Ano Novo chinês e pelo fluxo típico da época. A redução nos embarques adiciona mais um fator de incerteza ao mercado, exigindo ajustes estratégicos tanto por parte dos pecuaristas quanto dos frigoríficos. Ainda assim, frigoríficos seguem ativos na compra de animais, tentando equilibrar a demanda interna e externa diante das oscilações do mercado.
Na última semana de janeiro, o movimento de alta nos preços do boi gordo já mostrava sinais de limitação. A principal razão foi o aumento da oferta de fêmeas para abate, impulsionado pela valorização desse segmento e pela rápida recuperação das pastagens, que favorece o ganho de peso desses animais. Com maior disponibilidade de fêmeas no mercado, a demanda pela arroba do boi macho foi contida, restringindo elevações mais expressivas nos preços.

Segundo análise do Cepea, os fundamentos da pecuária neste início de 2025 indicam um cenário de continuidade nos investimentos dentro da porteira, mas com um crescimento mais comedido na oferta de animais e carne, assim como na demanda. Esse contexto reforça o momento de indefinição para os pecuaristas, que precisam equilibrar margens de lucro diante das oscilações do setor.
“Maior disponibilidade de fêmeas no mercado, a demanda pela arroba do boi macho foi contida, restringindo elevações mais expressivas nos preços em janeiro”
Diante desse cenário, o setor bovino segue atento aos desdobramentos das exportações e ao impacto do mercado interno na sustentação dos preços. Com oscilações moderadas e fatores distintos influenciando a formação de preços, o mercado do boi gordo inicia fevereiro sob forte monitoramento. A resposta da demanda interna, a retomada das exportações e a dinâmica da oferta de fêmeas serão determinantes para os próximos movimentos do setor.
Em tempo: A partir de 1º de fevereiro, o Indicador do Boi elaborado pelo Cepea passou a ser denominado CEPEA/ESALQ, substituindo a nomenclatura CEPEA/B3. Apesar da mudança no nome, a metodologia de cálculo permanece inalterada.
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