A semana tem sido marcada por fortes movimentos no mercado do boi gordo, impulsionados por notícias externas, especulação e elevada volatilidade nos contratos futuros. Segundo análise da Scot Consultoria, a instabilidade tomou conta sobretudo da B3, onde o clima predominante é de incerteza e cautela
O ponto de maior tensão surgiu na segunda-feira (17/11), quando passou a circular nas redes e em veículos de comunicação um documento preliminar com diretrizes do setor importador de carne bovina da China. O conteúdo, que deve ser oficializado na próxima semana, está relacionado à operação de salvaguarda aberta pelo governo chinês em dezembro de 2024. As medidas levantaram preocupações imediatas quanto ao impacto sobre os compradores locais e ao eventual reflexo sobre as exportações brasileiras — especialmente considerando que a China segue como principal destino da carne bovina do país.
Ao mesmo tempo, um movimento considerado positivo trouxe certo alívio ao setor. Na sexta-feira (14/11), os Estados Unidos anunciaram a redução parcial da sobretarifa aplicada à carne bovina brasileira. A taxa adicional, que era de 50%, caiu para 40%, mantendo ainda um peso significativo, mas abrindo margem para maior competitividade. Mesmo diante do custo extra, os EUA seguem como o segundo maior importador da carne bovina nacional.
No mercado futuro, a pressão baixista, já presente desde o início do mês, ganhou intensidade. Todos os vencimentos em aberto passaram a operar em queda. Entre 3 e 18 de novembro, enquanto o Indicador B3 oscilou em um intervalo estreito — entre R$ 319,00/@ e R$ 323,00/@ — os contratos futuros de novembro despencaram da casa dos R$ 332,00/@ para aproximadamente R$ 316,00/@, devolvendo cerca de R$ 16,50/@, o equivalente a 5%. O prêmio de mais de 4% sobre o físico se converteu em deságio de -1,47% em menos de duas semanas.

Esse movimento, conforme destacado pela Scot Consultoria, evidencia dois pontos: o excesso de otimismo embutido nos preços futuros e a importância de aproveitar oportunidades de hedge quando o mercado oferece proteção atraente. Produtores que fixaram preços na faixa de R$ 330,00/@ a R$ 335,00/@ se beneficiam agora de margens superiores às do mercado corrente; aqueles que aguardaram, ancorados no spot, viram o prêmio evaporar rapidamente.
Enquanto isso, o mercado físico segue em trajetória distinta. Apesar da turbulência na B3, a arroba do boi gordo manteve firmeza em diversas praças, impulsionada por uma demanda interna mais aquecida e pelo bom desempenho das exportações. Em São Paulo, os preços permaneceram estáveis, sustentados pelos embarques robustos. Até a segunda semana de novembro, o Brasil exportou 16,5 mil toneladas diárias de carne bovina in natura, volume 36,3% superior ao registrado no mesmo período de 2024, segundo dados da Secex.
A tendência é que a demanda doméstica continue consistente até o final do ano, enquanto a exportação, tradicionalmente mais fraca entre novembro e dezembro para a China, não deve sofrer impactos relevantes no curto prazo. Mesmo com maior oferta decorrente dos abates de outubro e novembro, o mercado tem mostrado resiliência ao longo de 2025.
Resta a dúvida central: nos próximos dias, será o mercado futuro que se ajustará ao físico — ou o físico que cederá à pressão dos contratos? A experiência recente mostra que, embora o “fundo do poço” tenha sido testado nos últimos anos, nem sempre movimentos bruscos justificam pânico. Para a Scot Consultoria, o momento exige atenção redobrada, leitura cuidadosa das sinalizações e gestão eficiente de risco.
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