O milho manteve sua trajetória de valorização na Bolsa de Chicago (CBOT) e registrou a quinta alta mensal consecutiva, subindo 8% e alcançando USD 4,74/bushel. No mercado brasileiro, a combinação de uma primeira safra sem aumento significativo de oferta, atrasos na colheita e no plantio da segunda safra resultou em um ambiente de cautela. Apesar do cenário de alta nos preços, a demanda interna pelo cereal seguiu firme, enquanto as exportações encerraram o ano com queda de 29,5% em relação ao período anterior, totalizando 38,5 milhões de toneladas embarcadas.
A valorização do milho nos mercados internacionais foi influenciada pela revisão para baixo na estimativa de produção dos Estados Unidos e pelas condições climáticas adversas na Argentina, que podem impactar negativamente a oferta do país vizinho. Além disso, as exportações americanas permaneceram aquecidas, refletindo um mercado global mais ajustado para a safra 2024/25. No Brasil, o atraso na colheita da soja prejudicou o ritmo do plantio da segunda safra de milho, elevando o prêmio de risco e sustentando os preços internos. Em Campinas (SP), a cotação subiu 1,6%, atingindo R$ 74 por saca.
De acordo com o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA), até 7 de fevereiro, o plantio da segunda safra no Mato Grosso havia alcançado 23,5%, abaixo da média histórica de 36,1% para o período. Já a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicou que, no cenário nacional, o índice foi de 18,8%, contra 31,5% no mesmo período do ano passado. O consumo interno também deve ser pressionado pelo aumento da demanda das novas usinas de etanol, o que está alterando a dinâmica de comercialização e exportação do grão.

No mercado global, o relatório de fevereiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu a previsão de safra para o Brasil e a Argentina em 1 milhão de toneladas cada, estimadas agora em 126 milhões e 50 milhões de toneladas, respectivamente. Como consequência, a produção mundial e os estoques finais foram revisados para baixo, atingindo o menor patamar desde a safra 2014/15. Diante desse cenário, o milho americano deve continuar ganhando espaço no mercado internacional, enquanto o Brasil, com o atraso no plantio da segunda safra, entrará mais tarde no ciclo de exportações.
Fonte: Itaú BBA, adaptado pela equipe FeedFood.
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