Mesa de Mercado · CEPEA
Bezerro MSR$ 3.390,78
Bezerro SPR$ 3.182,01
Boi GordoR$ 338,65
Soja PRR$ 127,64
Soja PortoR$ 133,87
MilhoR$ 63,45
Suíno Carc.R$ 8,60
Suíno PRR$ 4,66
Suíno SCR$ 5,00
Suíno SPR$ 5,27
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Mercado de carne bovina mantém exportações em alta e desafios nos preços internos

Com bons índices de exportação e aumento nos abates, setor ainda enfrenta desafios com a pressão sobre os preços e o mercado interno

O mercado de carne bovina em 2025 mostra um cenário misto, com números positivos em exportações e produção, mas também com desafios relacionados aos preços internos e a dinâmica de abates. No primeiro bimestre deste ano, as exportações de carne in natura atingiram um novo recorde para o mês de fevereiro, alcançando 190,5 mil toneladas, o que representa um aumento de 6,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, o preço médio da carne exportada caiu 2%, depois de seis meses consecutivos de alta, o que indica que o mercado externo segue competitivo, mas com alguma pressão sobre os valores praticados.

De acordo com o IBGE, 2024 registrou um aumento significativo no número de abates, com 39,3 milhões de cabeças abatidas, um crescimento de 15,2% em comparação com 2023. Destaca-se também o aumento dos abates de fêmeas (vacas e novilhas), que cresceram 19% e atingiram 16,9 milhões de cabeças, representando 43% do total abatido. Esse movimento é resultado de uma combinação de fatores, como o ajuste do mercado de bezerros, cujos preços aumentaram ao longo de 2024, mas também da necessidade de descarte de fêmeas em função da oferta crescente de gado pronto para o abate.

Pressão e expectativa

No entanto, apesar da expansão nos abates e das exportações em alta, os preços internos do boi gordo apresentaram queda entre o início de fevereiro e a segunda quinzena de março, saindo de R$ 325/@ para R$ 310/@, o que representa uma desvalorização de 4,4%. A carcaça casada seguiu a mesma tendência, embora com uma pressão menor sobre o spread da indústria. Por outro lado, o preço do bezerro no Mato Grosso do Sul subiu 2,4% no mesmo período, evidenciando que alguns segmentos do mercado ainda apresentam resiliência.

Esse movimento de queda nos preços está relacionado à boa oferta de gado para abate e à pressão da oferta interna, somada a um ajuste na cotação do dólar, que influenciou os preços das exportações. O spread das exportações, que havia atingido 8% em janeiro deste ano, caiu para 3% em fevereiro, o que reflete a diminuição do poder de compra do mercado externo e, consequentemente, a diminuição dos preços no mercado internacional.

Movimento de queda nos preços está relacionado à boa oferta de gado para abate e à pressão da oferta interna (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Previsões para os próximos meses

Apesar do atual ajuste nos preços, as previsões para os próximos meses indicam que as exportações continuarão desempenhando um papel importante no equilíbrio da oferta e na sustentação dos preços. As notícias de que a China não renovará licenças para frigoríficos de carne bovina dos Estados Unidos trouxeram otimismo ao mercado brasileiro, que pode ampliar seu acesso àquele mercado. Além disso, há expectativas positivas sobre a abertura de novos mercados, como o Vietnã e o Japão, além de novas habilitações de plantas para exportação para a China, o que pode aliviar a pressão sobre o mercado interno.

O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reforçou as expectativas de um aumento nas importações chinesas de carne bovina, com previsão de um crescimento de 2,2% em 2025, o que deve beneficiar as exportações brasileiras. A produção de carne bovina da China, por outro lado, deve sofrer uma leve queda de 0,6% em 2025, o que reforça a necessidade do país de importar mais carne para suprir a demanda interna.

Equilíbrio e demanda

A produção de carne bovina, apesar de seus números positivos, enfrenta um cenário de pressão sobre os preços internos, com queda nos valores do boi gordo e da carcaça casada no início de 2025. As exportações, por outro lado, seguem firmes, e o bom fluxo de negócios no mercado externo será um fator crucial para sustentar os preços no mercado interno. Embora a boa oferta de gado termine este ano, a pressão sobre os abates de fêmeas pode começar a se moderar nos próximos meses, refletindo o ajuste na dinâmica do mercado.

Dessa forma, o setor de carne bovina no Brasil se mantém com boas perspectivas de crescimento no mercado externo, mas com desafios internos que exigem atenção, especialmente no que diz respeito aos preços e à oferta de gado para abate.

Setor segue com boas perspectivas de crescimento no mercado externo, mas com desafios internos que exigem atenção (Foto: Wenderson Araújo)

Fontes: Itaú BBA e Cepea

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