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Angus se prepara para o nascimento dos primeiros animais com edição gênica

Projeto da Associação Brasileira de Angus e Ultrablack, em parceria com a Embrapa Gado de Leite, busca aprimorar a raça em aspectos como tolerância ao calor e resistência a doenças

Entre o fim deste mês e o início de abril, nascerão os primeiros animais do projeto de edição gênica conduzido pela Associação Brasileira de Angus e Ultrablack, em parceria com a Embrapa Gado de Leite. Cinco exemplares serão gerados a partir de reprodutoras previamente selecionadas. As gestações estão sendo acompanhadas na unidade da Embrapa em Juiz de Fora, Minas Gerais. O principal objetivo do projeto é desenvolver animais com maior tolerância ao calor, resistência a doenças comuns da espécie e ao carrapato, além de outros aprimoramentos genéticos.

O professor e pesquisador da Embrapa, Luiz Sérgio de Almeida Camargo, que também atua como membro suplente da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), explica que o projeto teve início no ano passado, com a seleção dos reprodutores para doação de sêmen, a produção e edição dos embriões e a subsequente transferência para as receptoras. A pesquisa avança agora para a fase de nascimento dos animais e avaliação da eficiência da edição gênica, sempre em conformidade com a legislação vigente.

“As características inseridas nos embriões e nos animais que nascerão são as mesmas que poderiam ocorrer naturalmente por meio de cruzamentos convencionais. No Brasil, assim como nos Estados Unidos e na Argentina, esse tipo de engenharia genética é regulamentado e não é considerado transgenia, pois as alterações poderiam ocorrer naturalmente”, esclarece Luiz Sérgio.

O pesquisador reforça que todo o processo será submetido à CTNBio para validação dos procedimentos e dos resultados obtidos. “Assim que esses animais nascerem, além de darmos continuidade aos estudos para avaliação, enviaremos uma carta-consulta à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança para que os classifique como não transgênicos, visto que passaram por um processo de edição gênica sem introdução de DNA externo à espécie”, destaca.

A Associação Brasileira de Angus e Ultrablack, responsável pela organização do projeto, acompanha de perto todas as etapas para garantir que criadores e associados tenham acesso ao que há de mais avançado em tecnologia e melhoramento genético. O presidente da entidade, José Paulo Cairoli, enfatiza a seriedade do trabalho desenvolvido.

Projeto teve início em 2024, com a seleção dos reprodutores para doação de sêmen, produção e edição dos embriões e transferência para as receptoras (Foto: Divulgação/Angus)

“Nossa prioridade é evoluir a raça, garantindo que os animais se adaptem cada vez melhor ao clima e ao ambiente brasileiros, sempre respeitando rigorosamente as normas e a legislação”, afirma José Paulo.

O diretor-executivo da Associação, Mateus Pivato, reforça a importância dos avanços científicos para a valorização da raça. Para ele, o papel da Associação é estar na vanguarda do melhoramento genético, oferecendo aos criadores o que há de mais moderno. “Estamos atentos para avaliar se os animais desenvolvidos apresentarão maior tolerância ao calor e melhor adaptação, sem prejuízos a outras características desejadas. A edição gênica representa um grande avanço”, acrescenta.

Além da busca pela melhoria genética, Mateus Pivato destaca que a pesquisa também visa fortalecer o sistema imunológico da raça e aumentar sua resistência a doenças, aspectos já demonstrados como viáveis em estudos anteriores. “Esses avanços são fundamentais para garantir o futuro da criação e manter a qualidade da raça Angus”, finaliza.

Fonte: Angus, adaptado pela equipe FeedFood

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