A colheita do milho segunda safra 2025/26 começou em Mato Grosso em ritmo levemente superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior. Segundo boletim do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), até o dia 22 de maio os trabalhos haviam alcançado 0,57% da área estimada no Estado.
Apesar do percentual ainda baixo neste início de operação, o avanço está 0,26 ponto percentual acima do observado no mesmo período da safra passada. Para o instituto, o dado indica uma antecipação gradual das atividades em algumas regiões produtoras, em meio à maturação das lavouras e à expectativa de intensificação dos trabalhos nas próximas semanas.
Médio-Norte lidera colheita
A região Médio-Norte de Mato Grosso aparece à frente neste começo de colheita. Até 22 de maio, a área colhida na região chegava a 1,18%, o maior índice entre as regiões acompanhadas pelo Imea. O avanço semanal também foi o mais expressivo, com alta de 0,83 ponto percentual.
Segundo o instituto, a colheita deve ganhar força em junho, favorecida pela redução das chuvas e pelo aumento do número de lavouras prontas. Entre os fatores observados para o início dos trabalhos estão a maturação fisiológica dos grãos, a umidade e as condições das plantas.
A antecipação, ainda que leve, também pode influenciar a logística de transporte e armazenagem no Estado. Em regiões com maior concentração produtiva, o avanço da colheita costuma ampliar o fluxo de carretas, a movimentação nos armazéns e a pressão sobre corredores de escoamento.

Área de milho deve passar de sete milhões de hectares
Conforme projeção do Imea divulgada em maio, Mato Grosso deve cultivar cerca de 7,39 milhões de hectares de milho na safra 2025/26, mantendo a posição de maior produtor nacional do cereal. O Relatório de Oferta e Demanda também aponta produtividade estimada de 118,71 sacas por hectare, o que indica melhora no potencial produtivo da safra.
Enquanto a colheita do milho avança, os produtores de soja também precisam acompanhar o calendário fitossanitário para a safra 2026/27. O Sistema Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Sistema Famato) informou que as datas foram mantidas após a publicação de uma nova Instrução Normativa Conjunta da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec) e do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT).
Vazio sanitário segue de junho a setembro
Com a manutenção do calendário, o vazio sanitário da soja em Mato Grosso ocorrerá de 8 de junho a 6 de setembro de 2026. Já o plantio da oleaginosa estará autorizado entre 7 de setembro de 2026 e 7 de janeiro de 2027.
A medida busca prevenir e controlar a ferrugem asiática da soja, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, considerada uma das doenças mais severas da cultura. Durante o vazio sanitário, é proibida a presença de plantas vivas de soja em lavouras, margens de rodovias, áreas de armazenamento e demais locais onde possa haver germinação espontânea.
Entre as obrigações dos produtores está a eliminação de plantas guaxas ou voluntárias, que germinam após a colheita e podem servir como ponte verde para a manutenção da doença entre uma safra e outra. Também é exigido o monitoramento contínuo das lavouras e o controle imediato em caso de identificação da ferrugem asiática.
As regras abrangem ainda o transporte de grãos e sementes de soja, que devem ser acondicionados de forma adequada para evitar derramamentos em rodovias e vias públicas. Segundo Alex Rosa, analista técnico de Agricultura da Famato, o descumprimento das medidas pode gerar notificações, destruição de áreas irregulares, multas e outras penalidades previstas na legislação estadual de defesa sanitária vegetal.
Fonte: Imea e Sistema Famato, adaptado pela equipe Feed&Food
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