A margem de esmagamento da soja registrou avanço recente no Brasil e nos Estados Unidos, impulsionada principalmente pela valorização dos derivados. No mercado brasileiro, o movimento também foi favorecido pela redução no custo da matéria-prima, refletindo um cenário mais positivo para a indústria.
O desempenho está diretamente ligado à alta nos preços do óleo de soja, que tem encontrado demanda aquecida, especialmente por parte das indústrias de biodiesel. Esse cenário ocorre em meio a preocupações com o abastecimento de combustíveis e rumores de paralisações no transporte rodoviário, fatores que têm sustentado os valores do derivado.
Nos Estados Unidos, o avanço da margem foi influenciado pelo farelo de soja, que voltou a operar nos maiores patamares desde 2024. O movimento reforça a importância dos derivados na composição dos resultados da indústria, especialmente em períodos de maior volatilidade no mercado do grão.

Pressão externa e colheita impactam preços no Brasil
Apesar do avanço da margem industrial, os preços da soja em grão no mercado doméstico seguem pressionados. Segundo pesquisadores do Cepea, esse movimento está associado às desvalorizações no mercado internacional e à variação cambial, que reduzem a competitividade do produto brasileiro no exterior.
Além disso, o avanço da colheita no País contribui para o aumento da oferta interna, reforçando o viés de baixa nos preços. No cenário internacional, as condições climáticas favoráveis na Argentina e as expectativas de expansão de área nos Estados Unidos também adicionam pressão ao mercado.
Por outro lado, a queda nas cotações tem sido parcialmente limitada pela postura cautelosa dos produtores brasileiros. Diante das incertezas relacionadas ao frete rodoviário e ao cenário geopolítico, muitos optam por armazenar a produção recém-colhida, reduzindo o volume disponível no curto prazo.
Fonte: Cepea, adaptado pela equipe Feed&Food
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