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Jejum pós-eclosão exige controle térmico no manejo de pintos

Estudos da UFMG indicam que períodos de até 48 horas não causam prejuízos consistentes quando temperatura, hidratação e alojamento são adequados

Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) avaliam como o tempo entre a eclosão e o alojamento, a temperatura, a hidratação e a alimentação influenciam o desenvolvimento dos pintos de corte. Os estudos são coordenados pelo professor Itallo Conrado Sousa Araújo e contam com a participação do médico-veterinário Henrique Carneiro Lobato.

Segundo o grupo, períodos de jejum de até 48 horas não apresentam efeitos negativos consistentes sobre ganho de peso, conversão alimentar ou desempenho ao abate, desde que as aves permaneçam em condições adequadas. Acima desse intervalo, aumentam os riscos de desidratação, atraso na absorção do saco vitelino, piora no desempenho inicial e mortalidade.

Temperatura define riscos

A temperatura é apontada como o fator mais crítico durante a espera e o transporte. Lobato explica que o caminhão deve operar entre 24 °C e 28 °C para manter o interior das caixas próximo de 32 °C, faixa considerada confortável para os pintos. Mesmo trajetos curtos podem causar perdas quando há calor ou frio excessivo.

Matrizes jovens exigem atenção

Os pesquisadores também observaram que pintos oriundos de matrizes jovens são mais sensíveis a esperas prolongadas. Em estudo com aves de matrizes de 29 semanas, houve maior perda de peso e menor desenvolvimento intestinal após 48 horas, em comparação com pintos de matrizes entre 55 e 59 semanas.

Nessas situações, dietas pré-iniciais e soluções hidratantes nas caixas podem reduzir parte dos efeitos negativos. A estratégia, porém, não deve ser aplicada de forma automática, pois acrescenta custos e precisa considerar tempo de transporte, idade das matrizes e condições de alojamento.

Não existe, segundo o grupo, um “ponto de não retorno” definido nas primeiras 72 horas. A capacidade de recuperação depende do manejo posterior. Para Lobato, é preferível manter os pintos por algumas horas adicionais em ambiente controlado no incubatório do que alojá-los em galpão frio, mal aquecido ou com cama inadequada.

Alimentação precoce

Sistemas de alimentação e hidratação no nascedouro também vêm sendo avaliados. Pesquisa recente da UFMG identificou menor nível de corticosterona, indicativo de redução do estresse, mas não encontrou ganhos duradouros de desempenho. O desafio será equilibrar bem-estar animal, logística, custos e produtividade.

Confira a matéria completa na edição 230 da Revista Feed&Food

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