A intensificação dos sistemas, a redução da idade de abate e a demanda firme podem manter um ambiente positivo para a pecuária brasileira até 2028. A avaliação foi apresentada por Maurício Palma Nogueira, diretor da Athenagro e coordenador do Rally da Pecuária, durante a reunião mensal da Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (ASBRAM), realizada em 18 de junho, em São Paulo (SP).
Apesar dos fundamentos favoráveis, Nogueira afirmou que decisões comerciais de China e Estados Unidos, ocorrências sanitárias, intervenções governamentais e mudanças geopolíticas podem alterar rapidamente as perspectivas. “Eu nunca tive tanta certeza da oferta e demanda que temos pela frente, dos resultados que temos pela frente, e nunca tive tanta dúvida em relação ao tanto que tudo isso pode mudar de acordo com decisões”, disse.
Dados do campo desafiam projeções
O especialista também questionou estimativas de forte redução da produção e de valorização excessiva da arroba. Para ele, projeções distantes da realidade podem levar produtores a perder oportunidades de venda ou reduzir o ritmo produtivo. “Nós precisamos começar a ter um pouco mais de disciplina, parar de se apaixonar por modelos matemáticos e começar a ir buscar essa informação no campo”, afirmou.
Entre os dados apresentados, as fêmeas responderam por 49,9% do abate bovino no primeiro trimestre de 2026. Nogueira ponderou que o percentual não representa necessariamente uma liquidação descontrolada de matrizes, pois parte do movimento decorre do descarte de vacas vazias e do abate de novilhas mais jovens. “O que está acontecendo no Brasil é um descarte técnico”, declarou.

Intensificação amplia a oferta
A Athenagro estima que animais terminados com dietas em torno de 2% do peso vivo em concentrado representarão mais de 25% do abate em 2026. Para cada semana de redução na idade média de abate, a expectativa é de aumento de 1,9% na quantidade anual de machos abatidos.
A consultoria também elevou de R$ 339 para R$ 347 por arroba sua projeção para a média de 2026, principalmente devido ao desempenho dos primeiros meses do ano. “Projeções não são previsões. Projeções mudam todo ano”, observou Nogueira.
Eficiência protege margens
Na avaliação do especialista, análises de mercado devem orientar a comercialização e as operações de proteção de margem, mas não definir o sistema produtivo com base em apostas de preço. Em sua comparação, o boi gordo precisaria valer de três a cinco vezes mais em sistemas de produtividade média ou extrativistas para gerar o mesmo lucro da alta tecnologia na recria e engorda.
A recomendação é preservar a eficiência dentro da porteira e utilizar a comercialização para proteger o resultado construído na produção, atualizando as estratégias conforme novos dados chegam ao mercado.
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