Novos focos de Influenza Aviária Altamente Patogênica (IAAP) seguem sendo registrados em diferentes países da Ásia, mantendo o setor avícola em alerta diante dos impactos sobre produção, abastecimento e comércio internacional de proteína animal. As notificações mais recentes enviadas à Organização Mundial de Saúde Animal apontam predominância do vírus H5N1 em aves domésticas, embora a mudança dos padrões migratórios de aves silvestres tenha contribuído para uma desaceleração recente no número de ocorrências.
Índia amplia registros em granjas
No sul da Ásia, a Índia voltou a registrar surtos entre o fim de janeiro e meados de março, com casos confirmados nos estados de Sikkim, Bihar e Chhattisgarh.
Em Sikkim, duas propriedades localizadas no mesmo distrito registraram infecção em 1.374 aves. Em Bihar, um foco em Patna provocou a morte de mais de 200 aves, enquanto em Chhattisgarh o impacto foi mais severo: mais de 4,7 mil aves morreram e cerca de 24,7 mil precisaram ser sacrificadas para contenção sanitária. As autoridades locais ainda não identificaram a origem das infecções.

Nepal enfrenta pressão sobre oferta de ovos
No Nepal, o número de focos chegou a 39 desde março. Parte dos casos foi associada à presença de aves silvestres e a operações recentes de abate sanitário em propriedades vizinhas.
Além das perdas na produção, os surtos já refletem no mercado interno. A redução da oferta, combinada às altas temperaturas e à demanda sazonal, elevou os preços dos ovos no país, pressionando a cadeia de abastecimento.
Japão e Coreia do Sul seguem com impactos elevados
No leste asiático, o Japão confirmou no fim de abril um novo foco em uma granja de galinhas poedeiras na província de Aomori. O caso afetou aproximadamente 237 mil aves e elevou para 24 o total de surtos registrados no país desde outubro, com impacto acumulado sobre 5,73 milhões de aves.
A Coreia do Sul também mantém elevado número de ocorrências. Um novo foco foi confirmado em abril, totalizando 57 granjas afetadas desde setembro. Mais de 6 milhões de aves já foram envolvidas nos episódios sanitários, além da identificação das variantes H5N1 e H5N9 em aves domésticas e silvestres.
Sudeste asiático mantém vigilância reforçada
Em Taiwan, quatro surtos em criações de galinhas caipiras atingiram pouco mais de mil aves em abril.
No Camboja, o vírus H5N1 voltou a ser detectado na província de Svay Rieng após meses sem registros. O caso ganhou ainda mais atenção devido à associação com uma infecção humana na região.
Nas Filipinas, permanece ativo um foco identificado em patos na ilha de Mindanao.
Casos humanos aumentam preocupação sanitária
Além dos impactos sobre a avicultura, novos casos de infecção humana por vírus de origem aviária foram registrados em Bangladesh, Camboja e China.
Entre os episódios confirmados estão registros de óbitos, incluindo uma mulher no Camboja e um caso na China associado ao vírus H5N6. Outros casos envolveram o subtipo H9N2, principalmente em crianças, com evolução clínica favorável.
Segundo dados sanitários internacionais, desde 2015 foram contabilizadas 164 infecções humanas por H9N2 na região do Pacífico Ocidental, com predominância na China.
Mercado segue atento aos desdobramentos
Apesar da redução recente na velocidade de disseminação dos surtos, a permanência do vírus em diferentes regiões da Ásia mantém o alerta elevado para a cadeia global de proteína animal.
O cenário segue sendo acompanhado de perto pelo setor avícola internacional devido aos potenciais impactos sobre produção, custos sanitários, comércio exterior e segurança alimentar, especialmente em países fortemente dependentes da avicultura comercial.
Fonte: Watt Poultry, adaptado pela equipe da Feed & Food.
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