O novo tarifaço anunciado por Donald Trump, com a possibilidade de tarifas de até 50% sobre produtos chineses, acendeu o alerta no comércio global. A reação da China, aplicando tarifas de até 34% a produtos norte-americanos, somada à desvalorização do real frente ao dólar, intensificou a volatilidade econômica internacional – e colocou o Brasil em posição estratégica, especialmente no agronegócio.
Para Jorge Kotz, CEO do Grupo X, o momento, embora tenso, pode ser transformado em vantagem competitiva. “O tarifaço anunciado por Donald Trump inaugura uma nova fase de instabilidade no comércio global, mas, para o Brasil, esse movimento pode ser uma rara oportunidade estratégica. No entanto, é preciso inteligência comercial e diplomática para transformar o caos em vantagem e isso exige ação coordenada entre governo e setor privado”, avalia.
Com a disputa entre os dois maiores parceiros comerciais do Brasil, surgem brechas no mercado global. A China, ao evitar produtos americanos, pode voltar seus olhos a fornecedores alternativos e o agro brasileiro desponta como forte candidato a ocupar esse espaço. Segundo Kotz, o país tem um histórico de produção eficiente e custo competitivo, que pode ser ainda mais favorecido pelo dólar valorizado.
“O Brasil, com sua vasta produção agrícola, tem potencial para aumentar suas exportações, mas é crucial que o governo e os empresários ajam de maneira coordenada para garantir que as oportunidades se traduzam em resultados concretos, como aumento das vendas no mercado externo e expansão de nichos específicos de mercado”, ressalta.
‘O Brasil está em uma posição única para se beneficiar dessa turbulência global’, afirma Jorge Kotz (Foto: Divulgação)
Apesar do otimismo, o executivo também aponta a necessidade de cautela. O impacto da alta do dólar sobre a inflação interna e o poder de compra da população não pode ser ignorado. A crise, segundo ele, exige preparo e estratégia. “O Brasil está em uma posição única para se beneficiar dessa turbulência global, mas o sucesso dependerá da capacidade de se adaptar rapidamente às mudanças e de tomar decisões estratégicas que garantam a sustentabilidade e o crescimento a longo prazo”, finaliza Kotz.