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Agronegócio, siderurgia e manufatura serão afetados se Trump taxar o Brasil

Setores dependem das exportações para o mercado americano; especialistas falam sobre os impactos da medida

A economia brasileira pode ser bastante impactada com a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de taxar produtos brasileiros. Especialistas dos setores de agronegócios, siderurgia e manufatura estão atentos às medidas. Um deles, o analista CNPI da Ouro Preto Investimentos, Sidney Lima.

Para ele, “a decisão de Trump de considerar tarifas sobre produtos brasileiros pode impactar a economia nacional, mas também destaca a urgência de diversificar mercados. A dependência excessiva dos EUA expõe vulnerabilidades, especialmente nos setores agrícola e industrial. Nesse sentido, reforçar acordos com a União Europeia, fortalecer as relações com a China e explorar novas parcerias comerciais são caminhos necessários para reduzir os danos causados por políticas protecionistas americanas”.

Economista da Rio Bravo, José Alfaix, entende que “as ameaças tarifárias de Trump talvez não estejam gerando o efeito esperado pelo presidente. O que inicialmente era visto como um jogo político para conseguir negociar interesses, como o caso do controle das fronteiras com o México, agora, tem se materializado em uma iminente guerra tarifária, com todos os seus parceiros comerciais anunciando retaliação às tarifas que serão impostas. O pior cenário possível. Há grande incerteza sobre o potencial de impacto das tarifas. Observamos, no primeiro mandato de Trump, efeito pouco expressivo sobre a inflação, dado o contexto de desaceleração global da época. Agora, com a economia aquecida e o Fed preocupado com a resiliência da inflação de serviços, as tarifas tendem a ter efeito recessivo. A maioria se protege acumulando estoque, e, no caso dos produtores, aumentando os preços para se proteger dos impactos posteriores. Medidas que resultam, tudo ou mais constante, em menos consumo e mais inflação. A iniciativa de incentivar a indústria nacional pode, como muitas vezes, resultar em incremento de preço para o consumidor final. As circunstâncias são diferentes de 2016”.

CEO da Gestora Multiplike, Volnei Eyng, explica que “se o Brasil se tornar alvo de tarifas dos EUA, setores como agronegócio, siderurgia e manufatura seriam os mais afetados por dependerem fortemente das exportações para o mercado americano. Produtos como aço, alumínio e carne bovina perderiam competitividade, reduzindo o volume exportado e pressionando a produção interna. Isso afetaria a balança comercial, o câmbio e o emprego em cadeias produtivas inteiras. Por outro lado, o cenário poderia acelerar a busca por acordos com Europa e Ásia, diversificando mercados e diminuindo a dependência dos EUA. Vale lembrar que da primeira vez que Trump falou das taxas recíprocas, ele mencionou o Brasil como um exemplo”.

Conforme o CEO da Equity Group, João Kepler, “as ameaças de Trump sobre taxar produtos do Brasil podem ter efeitos duplos: no curto prazo, pressionariam a produção de setores como o agronegócio e a manufatura, enquanto, no longo prazo, podem acelerar mudanças estruturais nas exportações brasileiras. Empresas afetadas podem buscar alternativas, como fortalecer laços comerciais com a Ásia ou expandir acordos com a União Europeia. Esse movimento, embora desafiador, pode resultar em um comércio exterior mais equilibrado e menos dependente do mercado americano”.

Sócio da Equus Capital, Felipe Vasconcellos, afirma que “se o presidente Donald Trump decidir impor tarifas adicionais sobre produtos brasileiros como está ameaçando fazer com a União Européia, a economia do Brasil poderá enfrentar desafios no curto prazo, especialmente em setores como o agronegócio e a indústria manufatureira. Em 2024, os Estados Unidos foram o terceiro maior destino das exportações brasileiras, totalizando US$ 12,1 bilhões. Produtos como petróleo bruto, aeronaves, café, celulose e carne bovina lideraram as exportações para o mercado norte-americano e outros, como o suco de laranja, são bastante dependentes desse mercado que compra 32% das nossas exportações da commodity. Contudo, a demanda interna dos EUA por certos produtos brasileiros pode mitigar alguns impactos. Por exemplo, devido aos baixos estoques de gado nos EUA — os menores em sete décadas — é provável que o país continue importando grandes volumes de carne bovina do Brasil, mesmo com tarifas adicionais. No entanto, os custos mais altos poderiam ser repassados aos consumidores americanos, potencialmente elevando a inflação nos EUA. Para o Brasil, a redução das exportações para os EUA será mais um argumento a favor da busca por novos mercados e do fortalecimento de relações comerciais existentes. A China já é o principal destino das exportações brasileiras, totalizando US$ 49,7 bilhões em 2024, e poderia absorver parte da produção destinada anteriormente aos EUA. Além disso, a União Europeia, que importou US$ 23,2 bilhões em produtos brasileiros no mesmo ano, também representa uma alternativa viável com bom potencial de crescimento, graças ao recente acordo entre o bloco e o Mercosul. Internamente, a diminuição das exportações para os EUA pode resultar em queda na produção e volatilidade de curto prazo nos setores afetados, impactando o PIB e a arrecadação fiscal. Já no longo prazo, o câmbio deverá compensar o impacto das tarifas e as cadeias globais podem se rearranjar. Com isso, as empresas que sobreviverem ao período de turbulência podem sair mais fortes”.

CEO da MA7 Negócios, André Matos, comenta que “a possível imposição de tarifas por Donald Trump aos produtos brasileiros representa um risco imediato para setores altamente dependentes do mercado americano, como o agronegócio e a siderurgia. O aço e o alumínio brasileiros perderiam competitividade, o que pode levar à retração das exportações e afetar diretamente a produção industrial. No entanto, essa situação também pode forçar o Brasil a acelerar acordos comerciais com a Europa e a Ásia, fortalecendo parcerias estratégicas e reduzindo a dependência dos EUA”.

Já o CEO do Grupo Studio, Carlos Braga Monteiro, entende que “se confirmadas, as tarifas adicionais prometidas por Trump podem afetar a balança comercial brasileira, especialmente devido à importância dos Estados Unidos como destino das nossas exportações. Produtos como carne bovina, café e celulose enfrentariam custos mais altos, prejudicando sua competitividade. Entretanto, esse cenário pode reforçar a necessidade de ampliar as relações comerciais com outros países, como a China — já nosso maior parceiro — e a União Europeia, que demonstram interesse crescente nos produtos brasileiros”.

Por fim, o CEO da Referência Capital, Pedro Ros, diz que “a taxação de produtos brasileiros por parte de Trump afetaria diretamente exportações estratégicas como petróleo, aeronaves e carne bovina. Apesar do impacto imediato, essa situação pode abrir espaço para o fortalecimento do Mercosul como bloco econômico, incentivando negociações conjuntas com mercados alternativos. A resposta do Brasil precisará ser ágil, reforçando laços com parceiros como a China e a União Europeia para manter o fluxo comercial e proteger setores vulneráveis”.

Fonte: Gueratto Press, adaptado pela equipe FeedFood

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