A Frísia Cooperativa Agroindustrial ampliou o uso de inteligência artificial no monitoramento do rebanho leiteiro e atualmente acompanha 23,5 mil vacas em 109 propriedades do Paraná. O número corresponde a aproximadamente 68% do volume diário de leite entregue à indústria e envolve mais da metade dos produtores cooperados da atividade.
O monitoramento faz parte do Projeto Monitore, desenvolvido em parceria com a empresa de tecnologia pecuária Cowmed. A iniciativa acompanha indicadores de saúde, reprodução, nutrição e conforto térmico dos animais por meio de colares eletrônicos instalados em vacas em lactação, no período seco e em novilhas próximas ao parto.
O sistema integra o programa Mais Leite Saudável, do Ministério da Agricultura, e permite acompanhamento contínuo do comportamento dos animais. Os dados coletados são enviados a antenas instaladas nas propriedades e processados em uma plataforma digital acessível aos cooperados e à equipe técnica da cooperativa.
Segundo a Frísia, o objetivo é antecipar problemas sanitários e reprodutivos, permitindo intervenções rápidas e maior eficiência produtiva. O modelo foi definido em conjunto com os cooperados e não estabelece diferenciação por tamanho de propriedade, ampliando o acesso à tecnologia no campo.
Os primeiros resultados observados pelos produtores estão relacionados à reprodução e à saúde dos animais. O sistema identifica o momento ideal para inseminação e detecta alterações comportamentais que podem indicar doenças antes do surgimento de sinais clínicos visíveis.

Em algumas propriedades, as taxas de prenhez já superam 35%, índice considerado elevado para a atividade leiteira. A detecção precoce de problemas também contribui para reduzir o uso de medicamentos e melhorar o desempenho produtivo do rebanho.
Outro ponto monitorado é o estresse térmico. Os colares registram padrões de ofegação, tempo em pé e outros comportamentos que indicam desconforto por calor, permitindo ajustes em ventilação, sombreamento e manejo para preservar o bem-estar animal e evitar perdas de produção.
O acompanhamento do tempo de ruminação e permanência no cocho também funciona como indicador de consumo alimentar. Alterações nesses padrões são identificadas rapidamente pelo sistema, possibilitando correções na dieta e no manejo nutricional.
A tecnologia utilizada funciona como um dispositivo de monitoramento contínuo do comportamento animal, com coleta de dados em alta frequência e geração automática de alertas. A precisão dos diagnósticos de saúde pode superar 95%, segundo a empresa desenvolvedora da solução.
A iniciativa reforça o movimento de digitalização da pecuária leiteira e amplia a rastreabilidade e a transparência do sistema produtivo, conectando eficiência técnica, bem-estar animal e sustentabilidade na produção de leite.
Fonte: Frísia Cooperativa Agroindustrial e Cowmed, adaptado pela equipe Feed&Food
LEIA TAMBÉM:
Crédito emergencial reforça sanidade agropecuária e destaca planejamento financeiro no campo
Inteligência artificial impulsiona biotecnologia sustentável no agronegócio




