A Câmara dos Deputados aprovou a Medida Provisória 1.312/25, que autoriza a abertura de crédito extraordinário de R$ 83,5 milhões para o setor agropecuário. O recurso será destinado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e segue para análise do Senado, onde precisa ser votado dentro do prazo legal para manter a validade.
Por se tratar de crédito extraordinário, os valores podem ser liberados de forma imediata e não estão sujeitos às limitações fiscais tradicionais. O objetivo é fortalecer ações do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa), considerado estratégico para a defesa sanitária e para a competitividade do agronegócio brasileiro.
Entre as prioridades está o combate à gripe aviária, com reforço das atividades de vigilância, prevenção e controle da influenza aviária de alta patogenicidade (H5N1), além do enfrentamento de outras enfermidades com potencial impacto econômico. A medida também prevê intensificação da fiscalização em portos, aeroportos e regiões de fronteira, contribuindo para a manutenção do status sanitário nacional.

Especialistas apontam que a liberação do crédito evidencia desafios estruturais ligados ao financiamento no campo. Para Romário Alves, CEO da Sonhagro, crises sanitárias expõem a vulnerabilidade de produtores que não contam com planejamento financeiro e acesso a crédito estruturado. Segundo ele, políticas públicas precisam caminhar de forma integrada a soluções financeiras que garantam sustentação ao produtor em momentos críticos.
O executivo destaca que surtos sanitários tendem a gerar efeitos em cadeia, pressionando custos, afetando o fluxo de caixa e, em alguns casos, comprometendo a continuidade da atividade rural. O acesso antecipado a instrumentos financeiros adequados, nesse contexto, contribui para reduzir riscos e aumentar a resiliência do negócio.
Além do crédito, o fortalecimento da sanidade agropecuária passa pela adoção de tecnologias que auxiliem na prevenção de perdas e no aumento da eficiência operacional. Para Loremberg Moraes, diretor da Hydroplan-EB, investir em soluções tecnológicas deve ser uma decisão contínua no campo, especialmente em cenários de instabilidade sanitária e pressão sobre custos de produção.
A liberação de recursos ocorre em um momento estratégico para o Brasil, que busca preservar sua posição como grande produtor e exportador de alimentos. A expectativa do mercado é que a medida ajude a mitigar riscos imediatos e, ao mesmo tempo, amplie o debate sobre financiamento estruturado, inovação e gestão sanitária como pilares da sustentabilidade do setor.
Fonte: Câmara dos Deputados, especialistas do setor e Mapa, adaptado pela equipe Feed&Food
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