Publicidade

Conteúdo

FAO aponta alta histórica nas carnes bovina e ovina e reforça papel do Brasil nas exportações globais

Relatório mostra que, mesmo com leve recuo no índice geral de alimentos, as proteínas seguem em alta — com destaque para a forte demanda internacional por carne bovina
Por Caroline Mendes
Compartilhe este post

O mais recente relatório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) indica um novo avanço nos preços internacionais das carnes, especialmente nas proteínas bovina e ovina. Enquanto o índice geral de preços de alimentos apresentou leve recuo em setembro, o segmento de carnes alcançou o maior patamar da série histórica, impulsionado pela combinação de demanda firme e oferta restrita nos principais mercados exportadores.

Publicidade

De acordo com o Índice de Preços de Alimentos da FAO, o indicador geral atingiu 128,8 pontos em setembro de 2025, ligeiramente abaixo dos 129,7 pontos de agosto. Apesar da queda mensal, o nível permanece 3,4% acima do mesmo período de 2024, refletindo a persistência de custos elevados em várias cadeias de alimentos.

No caso específico das proteínas, o Índice de Carnes subiu para 127,8 pontos, alta de 0,7% em relação a agosto e 6,6% superior ao valor registrado um ano antes — o mais alto desde o início da série da FAO. O movimento foi puxado principalmente pelas carnes bovina e ovina, que registraram forte valorização no mercado internacional.

A FAO destaca que os preços da carne bovina subiram diante da forte demanda de importação, especialmente dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que a oferta global segue limitada. Países exportadores, como Austrália e Brasil, se beneficiaram desse cenário, consolidando suas posições como fornecedores estratégicos. No caso da carne ovina, a valorização decorreu da escassez de produto disponível para exportação, principalmente na Oceania.

Já as carnes suína e de aves permaneceram relativamente estáveis, refletindo um equilíbrio maior entre oferta e demanda. Mesmo assim, o cenário de preços elevados reforça o peso das proteínas animais na composição do custo global dos alimentos.

Para o Brasil, o relatório representa tanto um alerta quanto uma oportunidade. De um lado, a elevação dos preços internacionais tende a pressionar os custos de insumos e reduzir margens em alguns segmentos da cadeia produtiva. De outro, a forte procura por carne bovina e ovina abre espaço para ampliar exportações, especialmente em mercados de maior valor agregado.

Além dos efeitos econômicos, a valorização das proteínas também acende o sinal de atenção para o consumo doméstico. A alta nos preços pode deslocar parte da demanda para alternativas mais acessíveis, como carne de frango e suína, influenciando diretamente o comportamento de compra das famílias e o equilíbrio entre os diferentes segmentos da pecuária.

O relatório da FAO reforça, assim, a necessidade de gestão eficiente de custos, diversificação de mercados e monitoramento constante das tendências globais. Em um cenário de demanda aquecida e oferta restrita, o Brasil segue como protagonista no fornecimento de proteínas ao mundo — mas o desafio de equilibrar competitividade e sustentabilidade nunca foi tão atual.

Por Caroline Mendes

LEIA TAMBÉM

FAO reconhece Programa Mais Leite Saudável como modelo de sustentabilidade

Sindirações consolida representatividade do Brasil na indústria global de alimentação animal em reuniões da FAO e IFIF

Índice de Preços da FAO: Carne atinge nova máxima histórica e impulsiona alta global

Você está em:

Compartilhar

Publicidade

Leia mais sobre :