Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
O Índice de Preços da FAO (FFPI) registrou em agosto 130,1 pontos, praticamente estável em relação a julho, quando havia alcançado 130,0 pontos, ao contrário da carne que registrou novo recorde. Em comparação com o mesmo período do ano passado, o avanço geral foi de 6,9%, embora o indicador ainda esteja 18,8% abaixo do recorde observado em março de 2022.
No recorte das carnes, os preços voltaram a ser protagonistas e atingiram o maior nível da série histórica. O índice específico para esse grupo chegou a 128 pontos, representando alta de 0,6% frente ao mês anterior e de 4,9% em relação a agosto de 2024. A valorização foi puxada principalmente pela carne bovina, que alcançou recordes diante da forte demanda dos Estados Unidos, com impacto direto nas cotações australianas, e da continuidade das importações chinesas. No caso brasileiro, a redução dos embarques para o mercado norte-americano, em razão de tarifas adicionais, foi compensada pela firmeza das vendas para a China, o que ajudou a sustentar os preços de exportação.


A carne ovina também seguiu em trajetória de valorização pelo quinto mês consecutivo, em função da oferta restrita na Oceania, onde parte dos volumes foi direcionada para mercados mais rentáveis, como Reino Unido e Estados Unidos. Já a carne suína permaneceu estável, refletindo um equilíbrio entre oferta e demanda, enquanto a de aves recuou em razão da ampla disponibilidade brasileira no mercado internacional. Apesar de o Brasil ter sido reconhecido em junho como livre de influenza aviária de alta patogenicidade em granjas comerciais, alguns países mantêm restrições às importações, o que ainda pressiona as cotações.
Nos demais grupos de alimentos, o cenário foi misto. Os cereais registraram queda de 0,8% em agosto, influenciados pela maior oferta global, especialmente de trigo na União Europeia e na Rússia. Os óleos vegetais, por sua vez, tiveram alta de 1,4%, impulsionada por palma, girassol e colza, enquanto os laticínios recuaram 1,3%, com reduções nos preços de manteiga, queijo e leite em pó integral. O açúcar apresentou leve avanço de 0,2%, mas segue em trajetória de queda no acumulado de doze meses, com recuo de 9%.
O desempenho reforça a posição estratégica das proteínas animais no comércio global. Com bovinos e ovinos em valorização, os exportadores ganham espaço para ampliar negócios, ao mesmo tempo em que consumidores enfrentam pressões adicionais de preços. Para o Brasil, o protagonismo na produção de aves e a firme demanda da China por carne bovina consolidam o país como peça-chave nesse cenário, que tende a manter as carnes no centro das discussões sobre segurança alimentar e comércio internacional.
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