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Exportações de carnes do RS avançam enquanto setor monitora exigência europeia

Estado ampliou embarques de carne suína e de frango em maio, mas cadeias exportadoras acompanham prazo da União Europeia para novas comprovações sobre antimicrobianos

As exportações de carne suína e de frango do Rio Grande do Sul cresceram em maio, acompanhando o ritmo positivo dos embarques brasileiros. Segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o estado exportou 32,7 mil toneladas de carne suína no mês, alta de 19,5% frente ao mesmo período do ano passado, e 62,9 mil toneladas de carne de frango, avanço de 21,3%.

Para produtores, agroindústrias e exportadores gaúchos, o desempenho reforça a importância do mercado externo para o escoamento da produção e para a sustentação da cadeia de proteína animal. Ao mesmo tempo, o setor acompanha as novas exigências da União Europeia, que podem restringir importações de produtos de origem animal a partir de 3 de setembro, caso o Brasil não apresente as comprovações documentais solicitadas pelo bloco.

Carne suína ganha espaço fora do país

Na carne suína, o crescimento do Rio Grande do Sul ficou acima da média nacional, que avançou 9% em maio, conforme a ABPA. O movimento ocorre em um cenário de maior necessidade de escoamento da produção e de busca por compradores internacionais.

Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Rio Grande do Sul (SIPS), Rogério Kerber, o avanço das exportações está ligado ao aumento da produção e à dificuldade de absorção pelo mercado interno. “A produção aumentou além do esperado, e o mercado interno está muito desarticulado. O poder aquisitivo da população está comprometido, e a demanda doméstica não acompanha o ritmo da oferta”, afirma.

No mercado externo, as Filipinas seguem como principal destino da carne suína brasileira. A diversificação de compradores tem sido uma estratégia importante para reduzir a pressão sobre o mercado doméstico e dar mais vazão à produção nacional.

Frango gaúcho avança após retomada de mercados

Na carne de frango, o Rio Grande do Sul embarcou 62,9 mil toneladas em maio, crescimento de 21,3% em relação ao mesmo mês de 2025. O resultado ocorre em meio à recuperação de mercados que haviam imposto restrições ao produto gaúcho após o episódio de gripe aviária registrado no ano passado.

Segundo o presidente da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), José Eduardo dos Santos, a retomada reflete o trabalho de reconstrução da confiança com compradores internacionais. “Muitos importadores mantiveram contato durante o período de embargo para acompanhar a situação sanitária. Hoje estamos colhendo os frutos dessa relação e da preferência pelo produto brasileiro”, afirma.

Além da recuperação de mercados, a diversificação dos destinos também favoreceu os embarques. Japão, União Europeia, Coreia do Sul e China ampliaram as compras de carne de frango brasileira, enquanto o setor segue atento aos impactos de tensões geopolíticas e desafios logísticos globais.

Exportações gaúchas de carne de frango e suína avançaram em maio, em meio à retomada de mercados e ao aumento da demanda internacional. Crédito: Reprodução

União Europeia exige comprovação documental

Apesar do avanço nas exportações, o setor de proteína animal acompanha com atenção o prazo da União Europeia para novas exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos. Carne bovina, carne de frango, carne de cavalo, tripas, peixe e mel podem ser barrados a partir de 3 de setembro, caso o Brasil não atenda às regras do bloco.

Segundo a avaliação de fontes do setor, o desafio não está ligado à qualidade sanitária das carnes brasileiras, mas à comprovação documental dos mecanismos oficiais de controle do uso de antimicrobianos. A responsabilidade por apresentar as garantias exigidas cabe ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em conjunto com os serviços veterinários oficiais dos estados.

“Não é o produtor rural quem precisa comprovar isso individualmente. A responsabilidade é do Ministério da Agricultura, em conjunto com os serviços veterinários oficiais dos Estados. O que está sendo exigido é uma comprovação documental e auditável dos controles já existentes”, afirma Julio Barcellos, coordenador do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (Nespro/UFRGS).

Rastreabilidade deve ganhar mais peso

A exigência europeia relacionada aos antimicrobianos foi implementada em 2024 com o objetivo de reduzir a resistência microbiana aos antibióticos. No caso brasileiro, propriedades habilitadas para exportação já operam com sistemas de rastreabilidade e fiscalização, mas agora precisam demonstrar formalmente esses controles.

Na avicultura, a avaliação é de confiança. José Eduardo dos Santos afirma que o segmento trabalha há anos na redução do uso de antimicrobianos e mantém programas de monitoramento de resíduos em parceria com universidades gaúchas.

Mesmo assim, existe preocupação com o calendário de análise da União Europeia. A próxima reunião ordinária da Comissão Europeia está prevista apenas para outubro, depois da data de entrada em vigor das regras. Por isso, o governo brasileiro busca alternativas para antecipar a avaliação ou viabilizar uma reunião extraordinária.

No Rio Grande do Sul, a Secretaria da Agricultura trabalha em projetos de ampliação da rastreabilidade bovina. Para o secretário Márcio Madalena, o tema deve ganhar cada vez mais relevância. “Esse é um tema que veio para ficar. A rastreabilidade será cada vez mais importante para comprovar a origem e os controles adotados na produção”, resume.

Fonte: ABPA, SIPS, Asgav, Nespro/UFRGS e Secretaria da Agricultura do RS, adaptado pela equipe Feed&Food

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