O mercado de soja e milho inicia a semana atento ao clima nos Estados Unidos e ao avanço da oferta brasileira. Para a oleaginosa, as condições meteorológicas nas áreas produtoras norte-americanas ganham importância em uma fase decisiva do desenvolvimento das lavouras, enquanto o milho permanece pressionado pela entrada da segunda safra no Brasil.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) tem divulgação do relatório mensal de oferta e demanda, o WASDE, marcada para quarta-feira (12), documento que poderá atualizar as estimativas para produção, estoques e comércio mundial das duas commodities.
Soja reage às previsões do clima
Segundo a Biond Agro, cerca de 62% das lavouras norte-americanas de soja estão em formação de vagens. Nesse estágio, mudanças nas condições de temperatura e umidade podem influenciar as expectativas de produtividade e provocar oscilações nas cotações em Chicago.
Após ganhos recentes, os contratos devolveram parte do avanço diante de previsões de melhora das chuvas nas regiões produtoras.

“Hoje o mercado trabalha muito mais com risco climático do que com perda produtiva confirmada. Enquanto as previsões indicarem boas chuvas, Chicago tende a encontrar dificuldade para sustentar altas mais fortes”, avalia Isabella Pliego, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro.
Segunda safra amplia disponibilidade de milho
No mercado brasileiro, a entrada do milho de segunda safra mantém elevada a disponibilidade do cereal. O cenário ocorre em um ano de grande oferta de grãos: a Conab estimou em julho uma produção nacional de 360,1 milhões de toneladas na temporada 2025/26, crescimento de 2,2% sobre o ciclo anterior.
A demanda interna, impulsionada também pelo avanço da utilização de milho na produção de etanol, contribui para absorver parte da oferta. A Conab já vinha projetando crescimento do consumo doméstico do cereal na safra 2025/26.
Câmbio entra na formação dos preços
Além de Chicago e do ritmo das exportações, o dólar influencia diretamente a formação dos preços em reais. Segundo Isabella, uma valorização da moeda norte-americana pode compensar parcialmente movimentos negativos das cotações internacionais.
Para as próximas semanas, clima nos Estados Unidos, evolução da colheita brasileira, demanda externa e câmbio permanecem entre os principais fatores de volatilidade para soja e milho.



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