O agronegócio brasileiro dispõe de diferentes instrumentos para ampliar as fontes de financiamento, mas ainda enfrenta desafios para democratizar o acesso ao mercado de capitais, aprimorar a gestão de riscos e fortalecer as garantias das operações. A avaliação foi apresentada durante o painel “Investimento e Financiamento em Tempos Voláteis”, realizado nesta segunda-feira (10), durante a 25ª edição do Congresso Brasileiro do Agronegócio.
Promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) e pela B3, o evento reuniu especialistas para discutir alternativas de financiamento em um cenário marcado por maior volatilidade e pela necessidade de instrumentos capazes de atender às particularidades do setor.
Para Flávia Palacios, diretora da ANBIMA, um dos caminhos é aproximar produtores rurais e agentes do mercado financeiro. “É necessário capacitar o produtor para compreender a análise de crédito e, ao mesmo tempo, fazer com que os agentes do mercado financeiro conheçam melhor a dinâmica da atividade dentro e fora da porteira, inclusive para identificar quais instrumentos de seguro são mais adequados para cada risco”, afirmou.
CRA e Fiagro ganham espaço
Entre os instrumentos que vêm ampliando as possibilidades de captação e investimento no agronegócio estão os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros).
De acordo com dados apresentados no painel, aproximadamente 600 mil investidores possuem aplicações em CRA, com tíquete médio de R$ 43 mil. Nos Fiagros, o tíquete médio é de cerca de R$ 1 mil, indicando potencial de ampliar o acesso de diferentes perfis de investidores aos ativos relacionados ao agronegócio.
Fabiana Perobelli, superintendente de Relacionamento com Clientes da B3, destacou que instrumentos originados na própria atividade rural também podem integrar essa estrutura de financiamento. É o caso da Cédula de Produto Rural (CPR), que pode ser utilizada como garantia e participar de operações de CRA e de outros instrumentos financeiros.
Gestão de riscos e governança
A volatilidade, segundo Julyana Yokota, managing director e especialista setorial da S&P Global Ratings, é uma característica inerente ao agronegócio. Nesse contexto, planejamento financeiro, transparência e governança passam a ter papel estratégico para as empresas do setor.
“Quando falo de governança e transparência, estou falando de acesso a instrumentos que podem oferecer opções melhores para reduzir custos”, avaliou.
A adoção de estruturas mais robustas de gestão e divulgação de informações pode contribuir para melhorar a avaliação de risco das empresas e ampliar as alternativas disponíveis no mercado financeiro.
Seguro rural ainda é desafio
Outro ponto destacado no debate foi a baixa cobertura do seguro rural no país. Monique Cardoso, superintendente de Sustentabilidade da CNseg, afirmou que menos de 100 mil produtores rurais contam atualmente com seguro no Brasil.
O cenário ganha relevância diante da maior frequência e intensidade de eventos climáticos extremos, que elevam a exposição dos produtores a perdas e aumentam os riscos associados às operações de crédito.
Segundo Monique, além de proteger o produtor, o seguro rural pode contribuir para a avaliação de riscos e estimular a adoção de práticas mais sustentáveis. Informações climáticas também podem ser utilizadas por produtores, seguradoras, instituições financeiras e outros agentes envolvidos no mercado de crédito para aprimorar a tomada de decisão.
Homenagens
Durante o congresso, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, sócio-diretor da Canaplan e presidente do Conselho Estratégico de Alto Nível da ABAG, recebeu o Prêmio Ney Bittencourt de Araújo – Personalidade do Agronegócio.

A pesquisadora da Embrapa Iêda Mendes foi contemplada com o Prêmio Norman Borlaug – Sustentabilidade.
As homenagens foram apresentadas, respectivamente, por Roberto Rodrigues, professor emérito da FGV, e Silvia Massruhá, presidente da Embrapa.




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