Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
As exportações brasileiras de carnes apresentaram desempenho positivo na terceira semana de junho de 2025, conforme dados preliminares divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Apesar de uma queda geral nas exportações totais do país (-0,6% na média diária em relação a junho de 2024), o setor de carnes, especialmente a bovina e suína, destacou-se com crescimento significativo, impulsionando a pauta de proteínas animais.
De acordo com o relatório, as exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada atingiram US$ 917,05 milhões até a terceira semana de junho de 2025, com uma média diária de US$ 65,50 milhões. Isso representa um aumento expressivo de 52,41% na média diária em comparação com o mesmo período de 2024, quando a média foi de US$ 42,98 milhões. Em volume, foram exportadas 168.837,92 toneladas, um crescimento de 25,33% na média diária, embora o preço por tonelada tenha subido 21,61%, alcançando US$ 5.431,56.
A carne suína fresca, refrigerada ou congelada também registrou forte desempenho, com exportações totalizando US$ 219,52 milhões e uma média diária de US$ 15,68 milhões, um incremento de 41,65% em relação a junho de 2024. O volume exportado foi de 84.150,54 toneladas, com aumento de 28,19% na média diária, e o preço por tonelada subiu 10,50%, atingindo US$ 2.608,62.

Por outro lado, as carnes de aves e suas miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas apresentaram queda, com exportações de US$ 401,63 milhões e uma média diária de US$ 28,69 milhões, uma redução de 21,24% em relação ao ano anterior. O volume exportado caiu 21,55%, totalizando 224.039,99 toneladas, enquanto o preço por tonelada permaneceu praticamente estável, com leve alta de 0,40%, chegando a US$ 1.792,67.
O segmento de outras carnes e miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas também registrou desempenho negativo, com exportações de US$ 34,04 milhões e uma média diária de US$ 2,43 milhões, uma queda de 19,25% na comparação com 2024. O volume exportado foi de 20.441,15 toneladas, com redução de 12,92% na média diária, mas o preço por tonelada subiu 5,60%, alcançando US$ 1.665,30.
Despojos comestíveis de carnes, preparados ou preservados tiveram exportações de US$ 98,04 milhões, com média diária de US$ 7,00 milhões, um aumento de 35,51% em relação a junho de 2024. O volume exportado foi de 29.023,53 toneladas, com crescimento de 34,99% na média diária, e o preço por tonelada subiu marginalmente em 0,39%, para US$ 3.377,91.
Resultados gerais da Balança Comercial
Os dados da Secex mostram que, até a terceira semana de junho de 2025, a balança comercial brasileira registrou um superávit de US$ 1,126 bilhão na semana, com exportações de US$ 5,52 bilhões e importações de US$ 4,393 bilhões. No acumulado do mês, o saldo positivo foi de US$ 4,176 bilhões, com exportações de US$ 20,001 bilhões e importações de US$ 15,825 bilhões. Comparado a junho de 2024, a média diária das exportações caiu 0,6%, enquanto as importações cresceram 0,9%.
No setor agropecuário, que inclui as carnes, houve uma queda geral de 12,2% na média diária das exportações, puxada principalmente por produtos como soja (-16,4%) e milho (-44,0%). A indústria extrativa também recuou 5,2%, enquanto a indústria de transformação, que engloba produtos processados de carne, cresceu 7,5%, sustentada por itens como carnes bovina e suína.
Perspectivas para o setor
O desempenho robusto das carnes bovina e suína reflete a competitividade do Brasil no mercado global de proteínas, impulsionada pela demanda em mercados como Ásia e Oriente Médio. No entanto, a queda nas exportações de carne de aves sinaliza desafios, possivelmente relacionados à concorrência internacional ou questões logísticas. O aumento nos preços por tonelada de carne bovina e suína também indica uma valorização do produto brasileiro, o que pode fortalecer a receita dos exportadores, mesmo com variações no volume.
Para o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, “o setor de carnes segue sendo um pilar da balança comercial brasileira, com destaque para a carne bovina e suína, que continuam ganhando espaço em mercados estratégicos. A avicultura, apesar do recuo, tem potencial para recuperação com ajustes na cadeia de suprimentos e estratégias de mercado.”
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