As exportações brasileiras de carne suína in natura registraram desempenho recorde no primeiro trimestre de 2026, tanto em volume quanto em faturamento. Entre janeiro e março, o Brasil embarcou 336 mil toneladas do produto, com receita de US$ 846 milhões, segundo dados oficiais do setor.
O resultado representa altas de 15,3% em volume e de 16,4% em faturamento na comparação com o mesmo período de 2025, consolidando a proteína suína como um dos principais vetores do desempenho do agronegócio brasileiro no início do ano.
Proteínas impulsionam resultado do agro
O avanço das exportações de carne suína contribuiu diretamente para o resultado histórico do agronegócio brasileiro, que alcançou US$ 38,1 bilhões em exportações no primeiro trimestre de 2026.
Além da suinocultura, a carne bovina também registrou desempenho recorde, com embarques de 702 mil toneladas e faturamento de US$ 3,98 bilhões, crescimento de 19,7% em volume e de 37,3% em receita na comparação anual.
O Ministério da Agricultura atribui esse cenário à ampliação de mercados internacionais, com a abertura de novos destinos comerciais nos últimos anos.
Crescimento sustentado por volume
No consolidado do agronegócio, as exportações cresceram 0,9% no primeiro trimestre frente ao mesmo período de 2025, atingindo o maior valor já registrado para o período.
O volume embarcado teve alta de 3,8%, compensando a queda de 2,8% nos preços médios de produtos como açúcar, algodão e milho, pressionados pelo cenário global.
O saldo da balança comercial do setor foi positivo em US$ 33 bilhões, resultado de US$ 38,1 bilhões em exportações e US$ 5 bilhões em importações.

China lidera demanda internacional
A China manteve a liderança como principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, com compras que somaram US$ 11,33 bilhões no trimestre, equivalente a 29,8% do total exportado.
União Europeia e Estados Unidos aparecem na sequência, embora ambos tenham reduzido o volume importado em relação ao ano anterior.
Entre os segmentos, os destaques foram o complexo soja (US$ 12,13 bilhões), proteínas animais (US$ 8,12 bilhões) e produtos florestais (US$ 3,94 bilhões).
Março registra leve retração
Apesar do desempenho acumulado positivo, o mês de março apresentou leve recuo nas exportações. O agronegócio brasileiro faturou US$ 15,41 bilhões no período, queda de 0,7% frente a março de 2025.
O volume exportado também recuou 0,8%, influenciado principalmente pelo setor cafeeiro, que registrou forte retração nas vendas externas.
As exportações de café verde caíram 30,5% em valor e 31% em volume, impactadas pela expectativa de uma safra recorde no Brasil em 2026, o que tem pressionado os preços no mercado internacional.
Importações de insumos avançam
No sentido oposto, as importações de fertilizantes atingiram volume recorde em março, com 3,5 milhões de toneladas adquiridas pelo Brasil, alta de 32,8% em relação ao mesmo mês de 2025.
A movimentação financeira foi de US$ 1,31 bilhão, refletindo a necessidade de abastecimento do setor produtivo em meio ao cenário global mais instável.
Resiliência diante do cenário geopolítico
Mesmo com a pressão sobre preços e os efeitos de tensões geopolíticas internacionais, como o conflito entre Estados Unidos e Irã, o agronegócio brasileiro mantém desempenho sólido.
O avanço das exportações, aliado à manutenção do fluxo de importação de insumos, reforça a capacidade de adaptação do setor diante de um ambiente global mais desafiador.
Fonte: Ministério da Agricultura e Cepea, adaptado pela equipe Feed&Food
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