As exportações brasileiras de carne bovina atingiram recorde no acumulado de janeiro a maio de 2026. Segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil embarcou 1,36 milhão de toneladas nos cinco primeiros meses do ano.
O volume é 14,4% superior ao registrado no mesmo período de 2025 e 26,6% acima do total exportado entre janeiro e maio de 2024. Para pecuaristas, frigoríficos e agentes da cadeia bovina, o desempenho reforça o peso do mercado internacional em um momento de consumo interno mais enfraquecido e maior competitividade de outras proteínas.

Receita também alcança maior valor da série
Em moeda nacional, a receita obtida com as exportações também foi recorde para o período. De janeiro a maio, as vendas externas de carne bovina somaram R$ 40,207 bilhões, alta de 20,24% em relação aos R$ 33,44 bilhões registrados no mesmo intervalo de 2025.
Segundo o Cepea, o resultado foi explicado pelo dólar elevado e pelo aumento do preço pago por tonelada, que chegou a R$ 29,5 mil na parcial do ano. Na prática, além do crescimento em volume, a valorização da proteína no mercado internacional ampliou o faturamento do setor.
Considerando apenas maio de 2026, o Brasil exportou 290,453 mil toneladas de carne bovina. O volume representa alta de 2,5% em relação a abril deste ano e crescimento de 17,2% frente a maio de 2025.

Maio tem maior faturamento mensal do ano
O preço pago pela carne bovina brasileira em maio foi de R$ 31.135,21 por tonelada. Com isso, o faturamento mensal chegou a R$ 9,04 bilhões, valor 5,35% superior ao registrado em abril e 28,08% acima do observado em maio do ano passado.
De acordo com pesquisadores do Cepea, o desempenho das exportações, tanto em volume quanto em receita, reforça o papel estratégico do mercado externo para a pecuária brasileira. O movimento ganha importância em um período de transição entre safra e entressafra, quando a oferta de animais prontos para abate pode variar conforme região e sistema produtivo.
O cenário também ocorre em meio a um pequeno aumento da disponibilidade de animais para abate, consumo doméstico mais fraco e maior competitividade das proteínas concorrentes. Para o pecuarista, acompanhar o ritmo dos embarques ajuda a entender a sustentação dos preços e a influência do mercado externo sobre a arroba.
Nos próximos meses, o comportamento das exportações deve seguir como um dos principais fatores de atenção para a cadeia bovina. Câmbio, demanda internacional, preços da carne e oferta de animais terminados devem continuar influenciando as decisões de venda, abate e reposição no campo.
Fonte: Cepea, adaptado pela equipe Feed&Food
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