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Exportações de carne bovina avançam no início de 2026 e diluem efeitos de restrições da China

Crescimento em volume e receita, aliado à diversificação de destinos, sustenta desempenho do setor no mercado internacional

carne bovina exportações

As exportações brasileiras de carne bovina registraram forte crescimento no primeiro bimestre de 2026, impulsionadas pela ampliação da demanda global e pela diversificação de mercados compradores. O avanço em volume e receita indica que os impactos das restrições impostas pela China tendem a ser absorvidos ao longo do ano.

Entre janeiro e fevereiro, o Brasil exportou 557,24 mil toneladas de carne bovina, considerando produtos in natura, industrializados e subprodutos, alta de 22% em relação ao mesmo período de 2025. Em receita, os embarques somaram US$ 2,865 bilhões, avanço de 39%, segundo dados compilados pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), com base na Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Demanda global sustenta crescimento

O desempenho reflete a manutenção de uma demanda internacional aquecida, mesmo diante de um cenário global marcado por incertezas geopolíticas e volatilidade nos mercados. Apenas em fevereiro, o Brasil exportou 279,26 mil toneladas, crescimento de 28,64%, com receita de US$ 1,449 bilhão, alta de 39,57%.

Esse movimento reforça a competitividade da carne bovina brasileira no mercado internacional, sustentada pela capacidade produtiva e pela presença consolidada em diferentes regiões do mundo.

China segue líder, mas perde espaço relativo

A China permaneceu como principal destino da carne bovina brasileira no início de 2026, com importações de US$ 1,221 bilhão, crescimento de 36% na comparação anual. Em volume, os embarques ao país asiático somaram 223,7 mil toneladas, alta de 21,7%.

Apesar disso, a participação chinesa no total exportado apresentou leve recuo, passando de 43,4% para 42,6%. No segmento de carne in natura, a fatia caiu de 48,6% para 46,5%, indicando avanço da diversificação de mercados.

Os preços médios pagos pela China também subiram, com valorização de 12%, atingindo US$ 5.461 por tonelada.

carne bovina exportações
Demanda internacional aquecida e diversificação de mercados impulsionam exportações brasileiras de carne bovina em 2026. Crédito: Reprodução

Estados Unidos ampliam participação

Os Estados Unidos consolidaram-se como segundo maior destino da carne bovina brasileira, com crescimento expressivo nas importações. As vendas de carne in natura para o país avançaram 97,3% em receita, somando US$ 379 milhões, enquanto o volume embarcado cresceu 60%, alcançando 63,08 mil toneladas.

Considerando todos os produtos, as exportações para o mercado norte-americano totalizaram US$ 448,7 milhões, alta de 56,8%. O movimento está associado ao déficit de oferta interna nos Estados Unidos, que deve elevar as importações ao longo de 2026.

Europa, Chile e Rússia ampliam compras

A União Europeia manteve crescimento consistente, com alta de 24,6% na receita e de 18,8% no volume embarcado no primeiro bimestre. Já o Chile registrou aumento de 22,4% no volume importado e de 29,3% em valor, reforçando a demanda regional.

A Rússia também se destacou entre os principais destinos, com crescimento de 106,6% no volume adquirido e de 132,3% na receita, ampliando a presença brasileira naquele mercado.

Diversificação reduz dependência

Além dos principais compradores, países como Egito, Emirados Árabes Unidos, México e Arábia Saudita ampliaram as importações de carne bovina brasileira no período. No total, 109 países aumentaram suas compras, enquanto 42 reduziram.

Esse movimento tem sido fundamental para reduzir a dependência da China e sustentar o ritmo de crescimento das exportações brasileiras.

Oferta interna pode limitar avanço

Do lado da produção, o setor acompanha mudanças no ciclo pecuário, com valorização dos animais de reposição e menor abate de fêmeas. Esse cenário tende a reduzir a oferta de carne bovina ao longo de 2026.

A combinação entre oferta mais restrita e demanda externa aquecida pode manter o mercado firme e sustentar a valorização dos preços.

Perspectivas seguem positivas

As perspectivas para o restante do ano permanecem favoráveis, com potencial de abertura de novos mercados e consolidação da presença brasileira em destinos estratégicos. Ao mesmo tempo, fatores externos, como tensões geopolíticas, podem influenciar custos logísticos.

Ainda assim, o Brasil segue consolidado como um dos principais fornecedores globais de carne bovina, sustentado por uma demanda internacional robusta e pela crescente diversificação de mercados.

Fonte: Abrafrigo e Secex, adaptado pela equipe Feed&Food

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