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Excesso de novilhas em recria reduz margem na atividade leiteira, aponta Cepea

Simulações do Cepea em propriedades típicas mostram que priorizar vacas em lactação aumenta margem de lucro em sistemas mais produtivos
Por Caroline Mendes
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Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br

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O novo boletim Custos Leite – Junho 202, elaborado pelo Cepea em parceria com o Projeto Campo Futuro da CNA/Senar, traz uma análise detalhada sobre os impactos econômicos e produtivos da retenção de novilhas na pecuária leiteira. O estudo revela que, em muitos casos, manter fêmeas em recria como estratégia de diversificação da receita pode comprometer a rentabilidade do sistema produtivo, sobretudo em propriedades com maior produtividade por vaca.

A análise foi realizada em três propriedades típicas com regime semi-confinado localizadas em Guaratinguetá (SP), São Miguel do Oeste (SC) e Uberlândia (MG), com médias de produção diária de 10, 14 e 18 litros de leite por vaca, respectivamente. Foram simulados diferentes cenários de retenção das novilhas excedentes (20% a 100%), com base no número de fêmeas que ultrapassam a necessidade de reposição do plantel.

Os resultados mostram que a venda das novilhas pode ser mais vantajosa apenas em sistemas com baixa produtividade individual. Foi o caso da propriedade paulista, onde a receita gerada com a comercialização das novilhas superou a que poderia ser obtida com a produção de leite. No entanto, ao elevar a produção média de 10 para 13 litros/dia, o cenário se inverte, destacando o peso da produtividade para a viabilidade da atividade leiteira.

Foto: reprodução
De acordo com o estudo, a recria prolongada pode representar um “consumo invisível” de recursos que, se destinados a vacas em lactação, trariam maior retorno financeiro

Já em São Miguel do Oeste e Uberlândia, a simulação demonstrou que a manutenção de vacas em lactação geraria maior receita e margem bruta do que a venda de novilhas. Nessas propriedades, a conversão de recursos forrageiros em leite mostra-se mais eficiente economicamente, sinalizando que a alocação dos insumos deve priorizar os animais em produção.

De acordo com o estudo, a recria prolongada pode representar um “consumo invisível” de recursos que, se destinados a vacas em lactação, trariam maior retorno financeiro. Isso é especialmente importante em propriedades que alegam não ter estrutura para aumentar o rebanho em produção, mas que, na prática, mantêm um número elevado de novilhas que ocupam espaço e consomem insumos sem retorno imediato.

Os autores do levantamento reforçam a necessidade de planejamento anual da atividade, considerando o histórico produtivo e a disponibilidade de volumosos. A gestão mais eficiente da recria e da capacidade de suporte da propriedade pode abrir espaço para aumentar o número de animais em lactação, incrementando o volume de leite captado com maior segurança.

Por fim, o Cepea destaca a importância de assistência técnica e capacitação dos produtores para promover ajustes na gestão do rebanho, aumentando a produtividade e a rentabilidade da atividade leiteira no longo prazo. O estudo reforça que, mais do que diversificar, é preciso otimizar o uso dos recursos disponíveis com base em indicadores econômicos sólidos.

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