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Eventos climáticos extremos elevam riscos para o milho safrinha

Especialistas alertam para a importância do manejo de pragas e doenças diante da redução das chuvas, altas temperaturas e seca

As mudanças climáticas têm alterado de forma significativa a dinâmica de produção agrícola no Brasil. Enquanto o milho de primeira safra registrou bom desenvolvimento com índices adequados de chuva, a safrinha poderá enfrentar desafios maiores devido ao espaçamento entre precipitações, às temperaturas elevadas e à seca, especialmente em estados como São Paulo, Minas Gerais, Paraná e na região Centro-Oeste.

Para enfrentar esse cenário, especialistas recomendam o uso de solubilizadores de nutrientes e inoculantes como o Azospirillum brasilense, que favorecem o desenvolvimento da planta e a absorção de nutrientes. Outro destaque entre os bioinsumos é o Bacillus aryabhattai, que melhora a resistência das plantas ao estresse hídrico.

Bruno Arroyo, engenheiro agrônomo e gerente de marketing estratégico da Agrobiológica Sustentabilidade, alerta para o aumento da pressão de pragas nesta época do ano. “Menos precipitações e temperaturas mais elevadas podem facilitar a infestação da cigarrinha-do-milho [Dalbulus maidis] e da lagarta-do-cartucho [Spodoptera frugiperda]”, afirma.

Em relação à cigarrinha, Bruno Arroyo destaca que, por ser vetor de doenças, não há níveis seguros de infestação. O manejo deve começar cedo, a partir do estádio V3 da cultura, e seguir até o pendoamento. “Essa praga, além dos enfezamentos, tem causado fumagina, reduzindo a fotossíntese e prejudicando o enchimento da espiga”, explica.

‘Essa praga, além dos enfezamentos, tem causado fumagina, reduzindo a fotossíntese e prejudicando o enchimento da espiga’, explica o engenheiro agrônomo Bruno Arroyo

Com temperaturas acima de 26 °C, o ciclo de vida da cigarrinha pode se prolongar para até 70 dias, ampliando o potencial de danos. Entre as medidas recomendadas estão o controle de milhos “tigüera”, o uso de armadilhas amarelas e a combinação de inseticidas biológicos e químicos para reduzir a resistência da praga.

Uma das alternativas no controle biológico é o uso do fungo Isaria fumosorosea, presente no produto Aptur, da Agrobiológica Sustentabilidade. Conforme Bruno Arroyo, formulações que combinam metabólitos e estruturas fúngicas prontas proporcionam ação mais rápida e eficiente, mesmo sob altas temperaturas.

Já a lagarta-do-cartucho segue como outro desafio importante para o milho. Tecnologias Bt têm perdido eficácia devido à pressão seletiva da praga. O uso de bioinseticidas à base do vírus Spodoptera frugiperda multiple nucleopolyhedrovirus (SfMNPV) se mostra uma estratégia eficiente. “O Baculoshock, nosso bioinseticida viral, tem alcançado até 77,3% de eficácia no controle de lagartas”, destaca o engenheiro agrônomo.

Fonte: Crop Care, adaptado pela equipe FeedFood

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