Por Carol Mendes | carolmendesmosca@gmail.com
A economia brasileira enfrenta sinais cada vez mais claros de desaceleração em 2025. Segundo o Informe Conjuntural da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado nesta quarta-feira (24), o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer apenas 2,3% neste ano, o menor avanço em cinco anos. A indústria e o setor de serviços sentirão os impactos da política monetária mais restritiva, com juros elevados e menor impulso fiscal. No entanto, a agropecuária surge como um dos principais vetores de sustentação da atividade econômica, com projeção de alta de 5,5%.
O resultado marca uma desaceleração acentuada em relação ao crescimento de 3,4% registrado em 2024. “O aumento da taxa Selic para 14,25% ao ano e a expectativa de nova elevação para 14,75% em maio pesam sobre o crédito e o consumo, afetando o ritmo de crescimento da indústria e dos serviços”, afirmou Mario Sergio Telles, gerente-executivo de Economia da CNI.
Dentro do setor industrial, os segmentos mais afetados são a indústria de transformação e a construção civil, que devem ter crescimento de apenas 1,9% e 2,2%, respectivamente, praticamente metade do desempenho observado no ano passado.

Em meio a esse cenário de retração, o agronegócio se destaca como um ponto positivo. Após uma queda de 3,2% em 2024, a agropecuária brasileira deverá retomar a expansão impulsionada por safras recordes de soja, milho e arroz. A expectativa é de aumento de 11,9% na produção de grãos, segundo dados do IBGE, revisados para cima nos primeiros meses de 2025.
“O bom desempenho da agropecuária será fundamental para atenuar os efeitos da desaceleração nos demais setores, especialmente diante da retração da demanda interna e dos riscos no comércio internacional, agravados pela atual guerra comercial e tarifária”, destacou Telles.
A expectativa de crescimento da produção agrícola, além de ajudar no PIB, também pode colaborar para a contenção da inflação dos alimentos no segundo semestre, aliviando parte da pressão inflacionária que elevou o IPCA acumulado em 12 meses para 5,5% até março.
Ainda assim, o cenário internacional preocupa. As mudanças na política comercial dos Estados Unidos e a previsão de retração no comércio global aumentam os desafios para as exportações brasileiras e para a competitividade da indústria nacional, que já enfrenta dificuldades domésticas com o encarecimento do crédito




