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Estudo aponta valor nutricional e econômico do pescado da pesca artesanal em Santos–São Vicente

Pesquisa do Instituto de Pesca mostra potencial de espécies capturadas no estuário para segurança alimentar, geração de renda e sustentabilidade.

A pesca artesanal no Sistema Estuarino de Santos–São Vicente (SESS) tem importância que vai além da geração de renda para comunidades costeiras. Estudo realizado pelo Instituto de Pesca (IP-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, dentro do projeto Valoriza Pesca, aponta que espécies desembarcadas na região também apresentam expressivo valor nutricional e potencial para contribuir com a segurança alimentar e nutricional.

A pesquisa avaliou nove espécies de pescado capturadas no sistema estuarino, considerando aspectos como composição centesimal, perfil de ácidos graxos e aminoácidos, volume de produção, valor econômico e situação de conservação. As análises foram realizadas em diferentes períodos do ano, permitindo identificar também variações sazonais na composição nutricional.

Entre as espécies avaliadas estão a corvina (Micropogonias furnieri) e o parati (Mugil curema), considerados importantes para a pesca local tanto pelo volume de captura quanto pela contribuição para a renda dos pescadores e para a oferta de proteína de origem animal.

Parati se destaca pelo teor de proteína

Um dos principais resultados da pesquisa foi observado no parati (Mugil curema), que apresentou o maior teor de proteína entre as espécies de peixes analisadas, com 25,37 gramas de proteína a cada 100 gramas de pescado.

O estudo também identificou que o parati e os moluscos avaliados apresentam baixo teor de gordura, mas possuem proporções relevantes de ácidos graxos poli-insaturados da série ômega-3, nutrientes associados a funções fisiológicas importantes e a uma alimentação saudável.

As concentrações desses nutrientes apresentaram variações de acordo com a estação do ano, reforçando que o valor nutricional do pescado pode ser influenciado tanto pela espécie quanto pelas condições ambientais.

Para os pesquisadores, os resultados mostram que o pescado não pode ser tratado como um produto nutricionalmente homogêneo. Características como espécie, ambiente e sazonalidade podem provocar diferenças importantes na composição dos alimentos.

Valor do pescado vai além do preço

Além das características nutricionais, o levantamento incorporou dados de produção, valor monetário obtido na primeira comercialização e status de conservação das espécies. A combinação dessas informações permite uma avaliação mais ampla da importância da pesca artesanal para a cadeia de proteína animal.

A maior parte das espécies estudadas não está atualmente classificada como ameaçada de extinção. No entanto, o levantamento identificou pontos que demandam acompanhamento. O caranguejo-uçá (Ucides cordatus), por exemplo, é classificado como “quase ameaçado”, enquanto algumas espécies de importância comercial ainda possuem lacunas de informação sobre seu estado de conservação.

Segundo Érika Furlan, pesquisadora do Instituto de Pesca e coordenadora do estudo, a avaliação do pescado deve considerar diferentes dimensões. “O valor de uma espécie também está relacionado à sua contribuição nutricional, à importância para a alimentação das comunidades, à geração de renda e à necessidade de assegurar a manutenção dos estoques pesqueiros para as futuras gerações.”

A pesquisadora destaca ainda que a integração entre informações econômicas, nutricionais e ambientais pode contribuir para a formulação de políticas públicas mais eficientes.

Ciência como suporte à pesca sustentável

Os resultados do estudo fornecem subsídios para estratégias de gestão sustentável dos recursos pesqueiros, além de contribuir para a valorização dos produtos provenientes da pesca artesanal.

A pesquisa também reforça a necessidade de integrar políticas de produção de alimentos, conservação da biodiversidade, saúde e desenvolvimento socioeconômico. Nesse cenário, o pescado artesanal aparece simultaneamente como fonte de proteína animal, instrumento de geração de renda e recurso que depende da conservação dos ecossistemas costeiros.

Desenvolvido para produzir e disseminar conhecimento sobre a pesca artesanal, o projeto Valoriza Pesca busca fortalecer a cadeia produtiva, valorizar o trabalho dos pescadores, contribuir para a qualidade do pescado e apoiar uma gestão dos recursos pesqueiros baseada em evidências científicas.

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