Caroline Mendes, de Piracicaba (SP)
Durante a manhã desta segunda-feira (4), o Simpósio Brasileiro de Melhoramento Animal (SBMA 2025) promoveu uma mesa-redonda que reuniu especialistas para debater um dos maiores gargalos do setor: como tornar o conhecimento científico acessível e aplicável ao campo. Participaram da discussão o Dr. Fernando Sebastián Baldi Rey (Universidade de São Paulo – FZEA/USP), o Dr. William Koury Filho (BrasilcomZ) e o Dr. Gilberto Romeiro de Oliveira Menezes (Embrapa Geneplus), sob a mediação do Dr. Luís Fernando Batista Pinto.
A conversa girou em torno da dificuldade de comunicação entre pesquisadores, técnicos e produtores, especialmente no que se refere ao uso de ferramentas de avaliação genética. Os debatedores ressaltaram que, apesar da evolução dos programas de melhoramento genético no Brasil, ainda é pequeno o número de criadores que utiliza, de fato, as informações técnicas na tomada de decisão. Estima-se que apenas 15% a 20% dos participantes de programas empreguem os dados de maneira efetiva.

Outro ponto abordado foi a influência da comercialização de genética, muitas vezes focada apenas na venda de índices finais, sem considerar o contexto produtivo e ambiental de cada propriedade. “É mais fácil vender um número do que explicar uma característica complexa”, alertou Koury Filho, chamando atenção para os riscos dessa simplificação.
Os palestrantes também destacaram a importância de capacitar técnicos e intermediários que atuam junto ao produtor. Iniciativas como cursos presenciais e itinerantes, podcasts e treinamentos foram apresentadas como alternativas para aproximar o conhecimento técnico da realidade no campo.
A mesa ainda discutiu o papel das universidades na extensão rural. Historicamente mais voltadas à pesquisa, as instituições de ensino superior começam, nos últimos anos, a valorizar e estimular ações de transferência de tecnologia para o setor produtivo.
Em consenso, os participantes reforçaram que melhorar a comunicação é fundamental para que as inovações científicas em melhoramento genético sejam incorporadas de forma mais ampla e eficiente, resultando em ganhos reais para a pecuária brasileira.
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