A intensificação das tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã reacendeu o alerta para o agronegócio brasileiro. A instabilidade no Oriente Médio, região estratégica para energia e fertilizantes nitrogenados, pode provocar alta nos preços do petróleo, do gás natural e dos insumos agrícolas, pressionando os custos de produção no campo.
Mesmo antes do agravamento do conflito, os fertilizantes já vinham registrando valorização. Levantamentos de mercado indicavam aumento nos preços da ureia nos portos brasileiros na comparação anual, além de altas acumuladas no superfosfato simples (SSP) e no cloreto de potássio (KCl). O movimento refletia fatores sazonais e ajustes na oferta global.
O Oriente Médio é um dos principais polos de produção de nitrogenados. Qualquer instabilidade na região tende a elevar a volatilidade das cotações internacionais. Ainda que não haja interrupção efetiva nas rotas comerciais, o simples aumento do risco geopolítico já é suficiente para pressionar os preços.
O principal canal de impacto é o petróleo. Movimentações militares próximas ao Estreito de Ormuz corredor por onde transita parcela significativa da energia mundial elevam o chamado “prêmio de risco” no mercado internacional. Quando o petróleo sobe, combustíveis e fretes acompanham.

Para o agro brasileiro, isso significa possível encarecimento do diesel utilizado nas propriedades rurais, aumento no custo do transporte interno e marítimo e pressão adicional sobre a produção de fertilizantes, cujo processo industrial é fortemente atrelado ao gás natural.
A cadeia de proteína animal também sente o reflexo. Fertilizantes mais caros elevam o custo de produção de milho e soja, principais componentes da ração. Diesel e frete mais elevados impactam o escoamento da produção e a logística de frigoríficos e integradoras. Em um ambiente de margens já apertadas, qualquer choque adicional amplia o risco financeiro.
Além do conflito, outros fatores globais já sustentavam viés de alta nos insumos, como retomada da demanda nos Estados Unidos, possíveis restrições de exportação na Ásia e expectativa de novas compras por grandes importadores. A tensão militar soma-se a esse cenário e reforça a volatilidade.
Embora o Brasil não esteja diretamente envolvido no conflito, a dependência de insumos importados faz com que o setor produtivo absorva rapidamente os efeitos da instabilidade internacional. Em um contexto de juros elevados e crédito mais restrito, novos aumentos nos custos podem pressionar ainda mais a rentabilidade no campo.
Fonte: Análises de mercado e entidades do setor, adaptado pela equipe Feed&Food
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