Por Caroline Mendes – carolmendesmosca@gmail.com
O novo relatório da Rabobank, intitulado “Entre tarifas e apertos de mãos”, aponta que o agronegócio global enfrenta um cenário de incertezas, com impactos diretos sobre o comércio de grãos e proteínas animais. As disputas geopolíticas e a imposição de tarifas têm redesenhado fluxos comerciais, mas, em meio às turbulências, o Brasil continua a se destacar como um dos grandes vencedores do mercado internacional.
No caso dos grãos, a soja brasileira segue com demanda firme, impulsionada pela redução das compras da China junto aos Estados Unidos, o que abre espaço para o produto nacional. A Rabobank ressalta, contudo, que os preços agrícolas recuaram em outubro, com queda de 4,45% na cotação da soja em grão. Mesmo assim, a competitividade brasileira, aliada à eficiência logística e à produção em larga escala, mantém o país em posição privilegiada.
O milho também tem mostrado bom desempenho. As exportações reagiram nos últimos meses, com valorização dos preços internos e forte ritmo de embarques. Para a safra 2025/26, o banco projeta uma expansão moderada da área plantada de soja, próxima a 1,5%, refletindo o foco dos produtores em produtividade e controle de custos diante de margens mais estreitas.

Na cadeia de proteínas animais, o relatório destaca o equilíbrio entre desafios e oportunidades. Apesar das novas barreiras tarifárias impostas por alguns mercados, o Brasil tem conseguido ampliar suas exportações, especialmente de carne bovina, aproveitando a vantagem competitiva em custos e a diversificação de destinos. As empresas do setor seguem monitorando atentamente o câmbio e o preço dos grãos, já que o custo de ração é um dos principais componentes das margens de produção.
A Rabobank alerta que o ambiente de incertezas — influenciado por tarifas, câmbio e tensões comerciais — exigirá das cadeias agroindustriais maior capacidade de planejamento e adaptação. Para o Brasil, o momento é de consolidar o protagonismo global com base em eficiência, sustentabilidade e gestão de riscos.
Mesmo com os “apertos de mãos” mais cautelosos no comércio internacional, o país mantém sua força nos campos e nos portos — confirmando que, em tempos de volatilidade, o agronegócio brasileiro continua sendo uma das âncoras da economia mundial.
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