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Endividamento rural de R$ 10,8 bi limita crédito a produtores do Paraná

Sistema FAEP alerta que dívidas em atraso, renegociadas ou prorrogadas dificultam novos investimentos e podem comprometer a continuidade das atividades no campo

O endividamento rural do Paraná chegou a R$ 10,8 bilhões em janeiro de 2026, segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico do Sistema FAEP. O valor corresponde ao chamado “saldo problemático”, que reúne dívidas em atraso de até 90 dias, operações inadimplentes há mais de 90 dias e contratos prorrogados ou renegociados.

O estado tinha, no período, aproximadamente R$ 99 bilhões em empréstimos junto a instituições financeiras que operam crédito rural. Com isso, o saldo problemático representava 11% do total de financiamentos rurais no Paraná, índice considerado elevado para um setor historicamente marcado por baixa inadimplência.

Crédito mais restrito preocupa o setor

Segundo o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, os números de janeiro já indicavam um cenário preocupante. “Os índices de janeiro são preocupantes por si só, mas estimamos que o número atual de endividamento já possa estar alcançando o dobro desse valor, ultrapassando os R$ 20 bilhões”, afirma.

No cenário nacional, o levantamento aponta que o Brasil somava cerca de R$ 881 bilhões em empréstimos rurais em janeiro, com saldo problemático de aproximadamente R$ 153,6 bilhões, equivalente a 17,4% do total. Dados do Banco Central também indicam que a inadimplência rural bateu recorde em 2025, com 6,5% das operações vencidas há mais de 90 dias.

Custos e clima pressionam produtores

O quadro de endividamento é atribuído a uma combinação de fatores, como quebras de safra provocadas por eventos climáticos, juros elevados, aumento dos custos de produção, alta de insumos como fertilizantes e diesel, queda nos preços de commodities e dificuldade de contratação de seguro rural.

Na avicultura, os efeitos também aparecem nas operações integradas. O produtor Luiz Flamengo, de Paranacity, no Noroeste do Paraná, trabalha com frango de postura e afirma ter acumulado dívida de cerca de R$ 450 mil diante do avanço dos custos operacionais.

“Na avicultura, os custos operacionais crescem em uma ascendência vertiginosa”, relata. Segundo ele, houve aumento na energia elétrica, nos insumos de manutenção e manejo avícola, como cal virgem, peças de equipamentos, lenha para aquecimento e mão de obra terceirizada.

Produtores rurais enfrentam restrição de crédito em meio ao avanço do endividamento no Paraná Crédito: Reprodução

Margens menores afetam atividade

Flamengo afirma que a remuneração por ave acompanha apenas o reajuste da inflação, sem refletir integralmente o aumento dos custos de produção. Com a margem reduzida, o produtor chegou a vender um veículo para quitar uma dívida anterior.

“O endividamento nos impede de honrar os compromissos financeiros assumidos com fornecedores e agentes financeiros”, diz o avicultor. A situação ilustra o impacto do crédito restrito sobre cadeias produtivas que dependem de investimentos contínuos, manutenção de estruturas e previsibilidade financeira.

Renegociação entra no debate

Para o Sistema FAEP, o avanço do endividamento pode comprometer a continuidade das atividades no campo e afetar a capacidade de investimento dos produtores. A entidade avalia que, sem acesso a crédito rural, parte dos produtores encontra dificuldade para financiar novas safras ou manter operações agropecuárias.

“Com margem reduzida e dívidas em atraso, o produtor não tem acesso ao crédito rural e, consequentemente, não tem recursos para investir no cultivo de uma nova safra”, afirma Meneguette. A entidade defende a criação de um programa de renegociação de dívidas e a abertura de novas linhas de crédito ao produtor.

O tema também deve avançar no Senado com a votação do Projeto de Lei 5.122/23, que prevê renegociação de dívidas rurais com recursos do Fundo Social do Pré-Sal. Segundo a FAEP, a entidade tem dialogado com parlamentares sobre os desafios enfrentados pelos produtores e a necessidade de medidas voltadas ao endividamento rural.

Fonte: Sistema FAEP, adaptado pela equipe Feed&Food

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