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Emprego no agronegócio bate recorde histórico no 2º trimestre de 2025

Setor soma 28,2 milhões de trabalhadores, mas agroindústrias recuam em ritmo diferente do restante da cadeia
Por Caroline Mendes
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Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br

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O mercado de trabalho do agronegócio brasileiro atingiu um novo marco no segundo trimestre de 2025. De acordo com boletim divulgado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), o setor empregou 28,2 milhões de pessoas entre abril e junho – o maior contingente já registrado desde o início da série histórica, em 2012.

Apesar do crescimento de 0,5% em relação ao trimestre anterior, o desempenho do agronegócio foi mais tímido que o do mercado de trabalho brasileiro como um todo, que avançou 1,7% no período. Com isso, a participação do setor no total de ocupados no País recuou ligeiramente para 26,0%, contra 26,3% no primeiro trimestre e 26,4% no mesmo período de 2024.

Segmentos em direções distintas

O avanço do emprego no agro foi puxado principalmente pelo segmento primário, que registrou alta de 1,7% (125,5 mil trabalhadores a mais). Destaque para a cafeicultura, que ampliou em 39,5% seu quadro de mão de obra durante a colheita, incorporando 187,3 mil pessoas. Também cresceram culturas de cereais (+7,9%) e cacau (+20,8%). Na pecuária, a expansão foi de 3,0%, com aumentos expressivos na avicultura (+9,0%) e na pesca e aquicultura (+8,2%).

Já os agrosserviços, elo que inclui transporte, armazenamento, comercialização e gestão, também bateram recorde, com 47,4 mil novas vagas (+0,5%). O segmento de insumos agropecuários teve ligeira alta de 0,5%, impulsionado pela indústria de rações (+3,3%) e de medicamentos veterinários (+17,8%).

Na contramão, as agroindústrias registraram queda de 0,7% (35,4 mil postos a menos). A redução foi sentida em setores como vestuário (-22,4 mil), bebidas (-17,4 mil) e fumo (-10 mil). Por outro lado, a produção de açúcar (+23,9%), massas (+2,8%) e etanol (+7,6%) ajudaram a conter maiores perdas.

Perfil e rendimento da mão de obra

O boletim também mostra mudanças no perfil dos trabalhadores do agronegócio. O número de empregados formais atingiu recorde histórico, chegando a 9,84 milhões de pessoas (34,9% do total do setor). O nível de escolaridade continua avançando: cresceu a participação de trabalhadores com ensino médio (+3,4%) e superior (+4,5%), enquanto caiu a de profissionais sem instrução (-8,4%) e apenas com fundamental (-1,8%).

As mulheres também ampliaram presença. Na comparação com o 2º trimestre de 2024, a ocupação feminina cresceu 1,9%, contra apenas 0,2% entre os homens.

Quando se trata de rendimento, o setor ainda está abaixo da média nacional. Os salários dos empregados do agronegócio ficaram em R$ 2.744, frente aos R$ 3.244 da economia brasileira. Mesmo assim, alguns segmentos apresentaram avanços importantes: a agricultura registrou aumento de 9,8% e a agroindústria pecuária, de 7,3%. Entre os trabalhadores por conta própria, a renda média cresceu 10,1% no período.

Tendências estruturais

Apesar da expansão geral, o levantamento indica que a agropecuária primária segue em trajetória de queda estrutural desde 2022, após breve recuperação em 2021. O movimento reflete a crescente mecanização, o êxodo rural e a migração da mão de obra para agroindústrias e serviços.

O Cepea e a CNA ressaltam que políticas de capacitação e inclusão produtiva são fundamentais para garantir a sustentabilidade do emprego rural diante das transformações tecnológicas e demográficas em curso.

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