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Diesel sobe mais de 7% no início de março pressionado por tensões no Oriente Médio

O transporte do agronegócio é diretamente impactado com a alta dos custos logísticos.

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reprodução

Os preços do diesel registraram forte alta nos primeiros dias de março nos postos brasileiros, impulsionados pela valorização do petróleo no mercado internacional em meio ao agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Dados do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL) apontam que o diesel S-10 teve aumento médio de 7,72% entre a última semana de fevereiro e a primeira semana de março, passando de R$ 6,22 para R$ 6,70 por litro. Já o diesel comum subiu 6,10%, de R$ 6,23 para R$ 6,61.

No mesmo período, a gasolina também apresentou elevação, embora mais moderada. O combustível teve variação média de 1,24%, com o preço passando de R$ 6,44 para R$ 6,52 por litro.

Segundo o diretor de Frete da Edenred Mobilidade, Vinicios Fernandes, o diesel costuma reagir mais rapidamente às oscilações do mercado internacional de petróleo, especialmente por ser o principal combustível utilizado no transporte rodoviário de cargas no Brasil. Além disso, o país ainda depende da importação de cerca de 20% a 30% do diesel consumido internamente, o que aumenta a sensibilidade do mercado nacional a movimentos globais de preço.

“Quando há uma alta mais forte no petróleo, é comum que os primeiros sinais apareçam no diesel. Como ele abastece a maior parte do transporte de cargas, qualquer pressão de custo tende a se refletir rapidamente nesse mercado”, explica Fernandes. Ele ressalta que, apesar da elevação nos preços nos postos, a Petrobras ainda não anunciou reajustes oficiais nas refinarias.

Nos últimos dias, o barril de petróleo chegou a se aproximar de US$ 120, diante de preocupações com possíveis impactos na oferta global de energia e nas rotas estratégicas de transporte, como o Estreito de Ormuz.

Fernandes afirma que já há indícios de maior pressão na cadeia de abastecimento. De acordo com relatos de postos credenciados à rede da empresa, alguns estabelecimentos enfrentaram dificuldade de reposição em determinados tanques ou bombas nos últimos dias, o que pode indicar um cenário de oferta mais restrita caso as tensões geopolíticas se prolonguem.

Apesar disso, o executivo afirma que ainda é cedo para falar em risco de desabastecimento. “A Petrobras costuma avaliar o comportamento do mercado antes de anunciar reajustes. Seguimos monitorando a situação e, caso haja impactos mais relevantes, temos tecnologia para indicar pontos com disponibilidade de combustível”, afirmou.

Segundo Celso Junior, Presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de Toledo e Região, o impacto no setor do agronegócio é direto. “Estamos na ponta da produção, se a guerra se prolongar teremos problemas. Sem a interferência do Governo Federal, seria muito maior o impacto e poderíamos ter até a falta do combustível nos postos”, ressalta.

Ele citou que há uma influência direta no transporte do agronegócio, com suínos, frango, leite, peixes, entre outros. “A relação é é direta no custo. Já temos milho plantado, precisamos vendê-lo e transportá-lo, assim como fertilizantes. Esta é uma questão que vai gerar um aumento de custo”, explicou.

Júnior afirmou que há uma interferência das distribuidoras. “O Petróleo exportado é refinado e depois importamos 30%. Distribuidoras estão sendo pressionadas repassar aos postos, até mesmo que a Petrobras divulgue a nota oficial. O que está sendo feito é uma análise deste cenário diante da probabilidade de uma falta ou escassez. Evitem rodar com o caminhão sem carga, para minimizar o problema. O combustível que poderá faltar, que as empresas não estoquem, pois vai aumentar a falta. Teremos que ter paciência para os próximos dias. É preciso ampliar o uso de biometano, originário dos dejetos de suínos, que pode ser uma excelente alternativa. Produtor rural, transportadora e todos os elos da cadeia podem se unir para evitar a oscilação do dólar, petróleo ou até mesmo em caso de guerra. O biometano pode ser produzido constantemente”, afirmou.

Foto: reprodução
O transporte do agronegócio é diretamente impactado com a alta dos custos logísticos.

Diferenças regionais

As maiores altas do diesel foram registradas no Nordeste. Na região, o diesel comum avançou 13,17% e o diesel S-10 subiu 8,79% no período analisado. O Nordeste também apresentou a maior média nacional para o diesel comum, com preço de R$ 7,22 por litro.

O Centro-Oeste também registrou aumentos expressivos, com alta de 7,45% no diesel comum e de 7,11% no S-10. A região é considerada estratégica para o escoamento da produção agrícola do país.

Nas demais regiões, as variações foram mais moderadas. O diesel comum subiu 5,13% no Sul, 3,55% no Norte e 3,40% no Sudeste. Já no caso do diesel S-10, o maior preço médio foi registrado no Norte, com R$ 7,00 por litro.

Entre as gasolinas, o Norte liderou em preço médio, chegando a R$ 6,93 por litro, enquanto o Nordeste apresentou a maior alta percentual, de 3,21%.

Variações por estado

No recorte estadual, Roraima apresentou o maior preço médio para o diesel comum, de R$ 7,84 por litro, enquanto o menor valor foi registrado em Pernambuco, com R$ 6,23. O maior aumento percentual ocorreu no Piauí, onde o combustível subiu 17,45%, alcançando R$ 7,74.

No diesel S-10, o maior preço médio foi registrado no Acre, também com R$ 7,84 por litro, e o menor no Rio Grande do Sul, com R$ 6,26. A maior alta ocorreu na Bahia, de 11,46%.

No caso da gasolina, Rondônia apresentou tanto o maior preço médio — R$ 7,90 por litro — quanto a maior alta no período, de 13,18%. O menor preço médio foi registrado na Paraíba, com R$ 6,26 por litro.

Giovana de Paula
Kevin Nascimento

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