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Javalis preocupam especialistas e podem ameaçar sustentabilidade da suinocultura

Painel do Encontro da Abraves-PR debate riscos sanitários, impactos econômicos e legislação brasileira para o controle da espécie invasora

controle de javalis

Os impactos da presença de javalis na produção animal foram tema central do Painel 3 do XX Encontro Regional da ABRAVES Paraná, realizado nesta quinta-feira (12), em Toledo (PR). Especialistas discutiram os riscos sanitários, econômicos e ambientais provocados pela espécie invasora e destacaram a importância de estratégias de controle para proteger a suinocultura brasileira.

Durante a primeira apresentação, o consultor Julio Daniel do Vale destacou que o problema vai além dos prejuízos ambientais e pode afetar diretamente a saúde humana e a produção animal. “As três áreas que o javali mais impacta são a saúde, o ambiente e a economia”, afirmou. Segundo ele, além de danos às lavouras e ao solo, os animais podem contribuir para surtos sanitários. “Tem impacto na economia também, pois há surtos epidemiológicos para a suinocultura além de danos a lavouras”, explicou.

controle de javalis
Julio Daniel do Vale, da JDV Ambiental, destacou os impactos sanitários, ambientais e econômicos provocados pela presença de javalis durante o painel sobre riscos da espécie para a produção animal. Credito: Feed&Food

O especialista também defendeu maior organização no monitoramento da espécie. “Precisamos ter um site para que as pessoas possam alertar ataques e avistamentos de javalis”, disse. Para ele, a criação de um centro de referência nacional ajudaria a reunir informações e melhorar as estratégias de controle.

Os riscos sanitários associados aos javalis foram aprofundados pela pesquisadora da Embrapa, Virginia Santiago Silva. Segundo ela, os animais podem atuar como reservatórios de enfermidades importantes para a produção animal. “O javali é um hospedeiro assim como o homem”, afirmou.

A pesquisadora alertou que a vigilância sanitária precisa ser contínua para evitar a entrada de doenças graves no país. “A suinocultura precisa se preparar tanto para prevenir quanto para controlar crises sanitárias”, disse. Ela também ressaltou que o monitoramento de animais mortos no campo é uma ferramenta importante para identificar possíveis enfermidades. “A vigilância mais eficiente da peste suína africana é a vigilância passiva, ver o animal morto”, explicou.

controle de javalis
A pesquisadora da Embrapa, Virginia Santiago Silva, destacou os riscos sanitários associados aos javalis e os desafios de vigilância para prevenir doenças que podem afetar a suinocultura. Crédito: Feed&Food

O tema da legislação brasileira e das estratégias de controle foi abordado por Lia Coswig, do Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura ( MAPA ). Segundo ela, a presença do javali representa um risco relevante para a sanidade da produção nacional. “Hoje, os maiores riscos envolvem a transmissão de doenças de notificação obrigatória, que geram impacto tanto na produção quanto na exportação brasileira”, afirmou em entrevista exclusiva à Feed&Food.

De acordo com a especialista, enfermidades como peste suína clássica, PRRS e peste suína africana estão entre as principais preocupações. “O javali atua como um vetor que pode introduzir essas enfermidades no sistema de suinocultura”, explicou.

controle de javalis
Lia Coswig, do Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura, explicou os principais pontos da legislação brasileira sobre o controle de javalis durante o painel sobre riscos da espécie para a produção animal. Crédito: Feed&Food

Em entrevista ao portal Feed&Food, Coswig destacou que o controle da população de javalis enfrenta dificuldades práticas no campo. “O javali é um animal muito inteligente. No momento em que se inicia o controle em uma região, ele tende a fugir para outros locais”, afirmou. Segundo ela, fatores como o local de abrigo dos animais também dificultam o manejo. “Outra dificuldade é o local de abrigo, geralmente em áreas de reflorestamento onde não há acesso fácil aos bandos”, disse.

Além disso, os custos operacionais também impactam as estratégias de controle. “Atualmente, o controle é prejudicado pela localização desses grupos e pelo alto custo para a aquisição de armamento”, acrescentou.

Para a especialista, a biosseguridade nas granjas é uma das principais ferramentas para reduzir riscos sanitários. “O fator principal é a adoção de medidas de biosseguridade na granja, com destaque para o uso de cercas que impeçam o acesso do javali à criação”, afirmou. Segundo ela, essa proteção deve ser adotada tanto em produções comerciais quanto em sistemas de subsistência. “A biosseguridade é a principal ferramenta de proteção que o produtor possui”, destacou.

Representando o IBAMA, Eunice Lislaine Chrestenzen de Souza explicou os métodos permitidos para o controle da espécie no Brasil. “A caça profissional é proibida no Brasil, mas o controle de espécies nocivas é permitido seguindo as regras”, afirmou.

Entre as estratégias recomendadas, ela destacou o uso de armadilhas. “O meio mais estimulado pelo IBAMA são as armadilhas, pois você pode capturar uma família inteira, o que é mais eficiente do que a caça”, explicou. Segundo ela, os procedimentos devem seguir protocolos específicos. “É obrigatório que as armadilhas capturem os animais vivos e que o abate seja rápido”, disse.

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Eunice Lislaine Chrestenzen de Souza, do IBAMA, explicou os métodos de controle de javalis permitidos no Brasil e os protocolos necessários para o manejo da espécie invasora. Crédito: Feed&Food

O cenário regional foi apresentado por Rafael Gonçalves Dias, da ADAPAR. Segundo ele, um dos principais desafios no Paraná é identificar quais doenças os javalis podem carregar. “O maior desafio que temos hoje no Paraná é saber quais doenças os javalis podem estar sendo reservatórios”, afirmou.

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Rafael Gonçalves Dias, da ADAPAR, apresentou dados sobre a presença de javalis no Paraná e alertou para os riscos sanitários que a espécie pode representar para a suinocultura. Crédito: Feed&Food

O especialista alertou que a entrada dessas enfermidades na produção poderia trazer consequências importantes para o setor. “Os riscos são encontrar doenças dos javalis dentro da suinocultura comercial”, concluiu.

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