Celebrado em 5 de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente reforça a importância de transformar sustentabilidade em prática dentro da produção agropecuária. No Brasil, o tema envolve diretamente produtores, cooperativas e agroindústrias, especialmente na cadeia de proteína animal, que depende de água, energia, grãos, manejo eficiente, sanidade, transporte e processamento para levar alimento ao consumidor.
Em 2026, a campanha global da data tem foco nas mudanças climáticas e nos sinais de alerta enviados pelo planeta. No campo, esse debate ganha uma dimensão prática: produzir com menor impacto, reduzir desperdícios, usar melhor os recursos naturais e comprovar boas práticas ambientais passaram a fazer parte da competitividade do setor.
Indicadores ambientais orientam decisões
Entre os principais indicadores usados para avaliar a sustentabilidade de uma atividade produtiva estão o consumo e a eficiência no uso da água, o perfil da matriz energética, a redução e destinação correta de resíduos e as emissões de gases de efeito estufa. Esses pontos ajudam a medir se uma operação está, de fato, avançando em responsabilidade ambiental.
De acordo com José Otávio Menten, professor sênior da USP/ESALQ e presidente do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), água, energia, resíduos e emissões estão entre os indicadores mais utilizados para avaliar a situação ambiental. Na produção agropecuária, esses fatores também se conectam à eficiência produtiva, à qualidade de vida e à segurança alimentar.
Na cadeia de proteína animal, o uso eficiente da água aparece em várias etapas, desde a dessedentação dos animais até a higienização de instalações, o processamento industrial e a produção de grãos destinados à alimentação animal. Por isso, práticas como controle de consumo, reuso, tratamento de efluentes e manejo adequado ganham espaço entre produtores e agroindústrias.

Energia, resíduos e emissões entram no centro da agenda
A energia também se tornou um ponto estratégico para granjas, frigoríficos, fábricas de ração, propriedades leiteiras e unidades de processamento. A busca por fontes renováveis, biodigestores, equipamentos mais eficientes e automação pode contribuir para reduzir custos e impactos ambientais, além de melhorar a previsibilidade das operações.
Outro desafio está na gestão de resíduos. Dejetos, embalagens, efluentes, subprodutos industriais e restos de produção exigem destinação correta para evitar impactos ambientais. Ao mesmo tempo, parte desses materiais pode ser reaproveitada em modelos de economia circular, com geração de energia, biofertilizantes ou novos insumos para o sistema produtivo.
As emissões de gases de efeito estufa também passaram a receber maior atenção de consumidores, compradores internacionais, instituições financeiras e órgãos reguladores. Na pecuária, práticas como recuperação de pastagens, integração lavoura-pecuária-floresta, melhoria nutricional, manejo reprodutivo e aumento da produtividade por área podem ajudar a reduzir a intensidade de emissões por quilo de alimento produzido.
Sustentabilidade precisa sair do discurso
Para produtores, cooperativas e agroindústrias, o Dia Mundial do Meio Ambiente reforça que sustentabilidade não deve ser tratada apenas como mensagem institucional. O tema precisa aparecer em decisões práticas, como planejamento produtivo, capacitação de equipes, gestão de recursos, controle de perdas, adequação ambiental e adoção de tecnologias que melhorem a eficiência da operação.
Esse avanço também tem ampliado o reconhecimento de iniciativas sustentáveis dentro da cadeia de proteína animal. Um exemplo é o Troféu Curuca, promovido pela Feed&Food, que será entregue em agosto, durante o Simpósio Feed&Food de Sustentabilidade, no SIAVS 2026, em São Paulo (SP). A premiação reconhece projetos que unem produção, inovação e responsabilidade ambiental no setor.
Mais do que uma data comemorativa, o 5 de junho chama atenção para uma agenda que impacta diretamente o futuro do agro. Produzir alimentos de forma competitiva exigirá cada vez mais eficiência no uso de recursos, respeito ao meio ambiente e capacidade de demonstrar, com dados e práticas concretas, que desenvolvimento e preservação podem caminhar juntos.
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