A taxa de desemprego no Brasil pode ficar abaixo de 5% no trimestre encerrado em dezembro de 2025, caso seja mantida a trajetória observada nos últimos meses. A avaliação é de Adriana Beringuy, coordenadora de Pesquisas Domiciliares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), durante a divulgação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). O resultado oficial será conhecido no fim de janeiro de 2026.
Segundo a pesquisadora, o quarto trimestre do ano costuma apresentar índices mais baixos de desemprego. “Pode haver taxa menor que 5%. O quarto trimestre costuma ter taxas mais baixas”, afirmou. Ainda assim, Beringuy ponderou que o patamar atual já é historicamente reduzido. A taxa de 5,2%, registrada no trimestre encerrado em novembro, é a menor desde o início da série histórica da Pnad Contínua, em 2012.
De acordo com o IBGE, a população ocupada alcançou 103 milhões de pessoas, avanço de 1,1% em relação ao mesmo período de 2024 e novo recorde da série. Na comparação com o trimestre móvel anterior, houve crescimento de 0,6%, o equivalente a mais 601 mil pessoas ocupadas. O nível de ocupação — proporção de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar — atingiu 59,0%, também recorde, com alta de 0,2 ponto percentual no trimestre.
Emprego e renda sustentam consumo
O mercado de trabalho brasileiro segue demonstrando capacidade de manter e reter postos de trabalho, segundo o IBGE. Para Beringuy, a ampla mobilização da população ocupada em diferentes segmentos da economia tem sustentado a redução do desemprego observada ao longo de 2025, especialmente no segundo semestre.
Além do avanço do emprego, os rendimentos do trabalho apresentaram manutenção ou crescimento, favorecendo o consumo das famílias, mesmo diante do elevado endividamento. A massa de rendimentos do trabalho somou R$ 3,574 trilhões no trimestre encerrado em novembro, alta de 4,5% na comparação com igual período de 2024.

“O consumo tem sido um vetor importante para a manutenção da empregabilidade. Parte significativa da massa de rendimentos do trabalho é revertida em consumo”, destacou a coordenadora do IBGE.
A avaliação do instituto é que 2025 foi um ano positivo também do ponto de vista inflacionário. A aceleração de preços esperada ao longo do ano não se confirmou, e itens como alimentos permaneceram em níveis mais baixos, liberando recursos para outros gastos das famílias. Segundo Beringuy, esse cenário é especialmente relevante para a população com renda de até três salários mínimos, para a qual o controle da inflação é determinante para o consumo e a geração de empregos.
Desempenho setorial
Apesar do quadro geral positivo, o crescimento do emprego não foi uniforme entre os setores. Indústria, agricultura e construção registraram estabilidade no período. O comércio manteve um contingente elevado de trabalhadores, enquanto a construção, mesmo com efeitos sazonais, preservou níveis importantes de ocupação.
O setor de serviços, por sua vez, ganhou peso na absorção de mão de obra, possivelmente incorporando parte dos trabalhadores do comércio. Já a administração pública, a educação e a saúde tiveram papel relevante na geração de empregos, com acréscimo de 492 mil pessoas ocupadas. Quase metade dessas vagas foi criada na área de educação, especialmente no ensino fundamental, seguindo um padrão sazonal. Na saúde, houve expansão de postos para profissionais como nutricionistas, enfermeiros e fisioterapeutas.
Fonte: IBGE, adaptado equipe Feed & Food.
LEIA TAMBÉM:
SP: campanha de vacinação contra a brucelose no segundo semestre termina amanhã, 31 de dezembro
Agroindústria argentina registra forte crescimento nas exportações em novembro




