Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
O primeiro semestre de 2025 foi desafiador para a pecuária de corte intensiva no Brasil. Segundo relatório do Cepea, elaborado em parceria com a CNA no âmbito do Projeto Campo Futuro, os custos de produção no confinamento registraram alta significativa entre janeiro e abril, com destaque para os gastos com dieta, que atingiram o pico em março. A pressão nos custos, aliada à forte oferta de fêmeas no mercado, resultou em preços mais baixos da arroba no físico e comprometeu a rentabilidade de muitos pecuaristas que optaram por não operar no mercado futuro.
No levantamento, que considera uma propriedade típica de confinamento em São José do Rio Preto (SP), animais machos inteiros foram engordados por 105 dias, com ganho médio diário de 1,6 kg, chegando a 543 kg de peso vivo e rendimento de carcaça de 53%. A avaliação financeira apontou que os produtores que travaram preços de venda no início do giro, por meio de contratos futuros da B3, conseguiram garantir margens positivas em julho, enquanto aqueles que atuaram apenas no mercado físico amargaram resultados negativos.

As perspectivas para o segundo giro, com abates entre agosto e novembro, são mais otimistas. O relatório indica queda tanto nos custos da dieta quanto no preço de reposição dos animais, o que, aliado às expectativas de valorização da arroba no mercado futuro, projeta margens mais atrativas ao confinador. Em novembro, por exemplo, a simulação mostra rentabilidade de até 2,89% ao mês, considerando um Custo Operacional Total (COT) de R$ 306/@.
O Cepea destaca ainda que, ao simular diferentes níveis de lucratividade (1%, 1,5% e 2%), ficou evidente a importância de ferramentas de gestão de risco de preços para garantir maior previsibilidade financeira. Segundo os pesquisadores, sistemas intensivos de produção são altamente sensíveis às variações de mercado, tornando o planejamento estratégico essencial para a sustentabilidade da atividade.
Apesar das boas perspectivas, o relatório alerta que movimentos do mercado internacional e incertezas externas podem afetar os preços no mercado físico nos próximos meses, exigindo cautela dos produtores.
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