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Crise entre potências pode impulsionar protagonismo global do agro brasileiro

Para Felipe Vasconcellos, disputa comercial abre oportunidade histórica para o Brasil consolidar sua liderança como fornecedor estratégico de alimentos à China

Com o acirramento das tensões comerciais entre Estados Unidos e China, o agronegócio brasileiro pode estar diante de uma das maiores oportunidades estratégicas da década. A análise é de Felipe Vasconcellos, sócio da Equus Capital, que vê na escalada tarifária entre as duas maiores economias do mundo uma janela para o Brasil ampliar sua presença no mercado chinês e se consolidar como líder global na exportação de alimentos.

“A intensificação das tarifas entre EUA e China abre espaço para o Brasil ampliar sua participação no mercado chinês, especialmente em commodities como soja e carnes, se consolidando como fornecedor estratégico em meio às tensões comerciais globais”, afirma Felipe Vasconcellos.

O pano de fundo para essa avaliação é o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos e a reativação da guerra comercial iniciada em seu primeiro mandato. Em 2025, Washington impôs tarifas adicionais de até 145% sobre produtos chineses, incluindo commodities agrícolas. Em retaliação, Pequim elevou tarifas sobre importações agropecuárias norte-americanas, como soja, milho e carnes, em até 125%.

A medida força a China a buscar novos fornecedores e o Brasil surge como o principal candidato a preencher essa lacuna. A história reforça esse cenário: em 2018, no auge da primeira onda tarifária entre os dois países, as exportações brasileiras de soja para a China cresceram 35%, atingindo 83 milhões de toneladas. Desde então, a participação chinesa nas compras da oleaginosa brasileira saltou de 46% (em 2016) para 76% (em 2024).

‘A crescente demanda chinesa por nossos produtos agrícolas é uma oportunidade para consolidarmos nossa liderança no setor’, avalia Felipe Vasconcellos (Foto: Divulgação)

A tendência segue firme. A China já sinalizou que pretende substituir os grãos americanos por oleaginosas da América do Sul, com destaque para o Brasil. Entre abril e junho de 2025, as importações chinesas de soja brasileira devem ultrapassar 30 milhões de toneladas — um recorde trimestral.

“A substituição da soja americana pela brasileira reforça a posição estratégica do Brasil no comércio global de commodities. A crescente demanda chinesa por nossos produtos agrícolas é uma oportunidade para consolidarmos nossa liderança no setor”, avalia Felipe Vasconcellos.

Além da soja, o Brasil exportou 2,89 milhões de toneladas de carne bovina em 2024, com receitas de US$ 12,8 bilhões — quase metade provenientes da China (US$ 6 bilhões). Diante do novo contexto geopolítico, o país pode transformar instabilidade em ganho estratégico.

Mas o cenário também exige cautela. A desaceleração da economia chinesa, aliada à queda nos preços de commodities como o minério de ferro, pode gerar impactos de curto prazo nas exportações. Para Felipe Vasconcellos, é preciso ir além da dependência de um único parceiro comercial.

“É essencial que o Brasil amplie sua base de parceiros. O acordo entre União Europeia e Mercosul é um passo importante, mas o trabalho deve continuar, especialmente com mercados emergentes como a Índia, que têm demonstrado grande potencial de crescimento”, defende o especialista.

Com uma diplomacia comercial ativa e estratégias de diversificação, o Brasil pode não apenas mitigar riscos, mas assumir uma posição de destaque permanente no tabuleiro do agronegócio global.

Fonte: Equus Capital, adaptado pela equipe FeedFood

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