A escalada do conflito no Oriente Médio tem provocado reflexos no mercado global de insumos agrícolas e já pressiona os custos de produção no agronegócio brasileiro. O aumento no preço de fertilizantes e combustíveis pode elevar despesas no campo e gerar efeitos em cadeia ao longo da cadeia de alimentos.
O Brasil depende fortemente do mercado externo para suprir a demanda por fertilizantes. Segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), cerca de 85% dos fertilizantes utilizados no país são importados, com parte relevante proveniente do Oriente Médio. A instabilidade geopolítica na região já pressiona os preços internacionais.
Nesse cenário, a ureia um dos principais fertilizantes nitrogenados utilizados na agricultura voltou ao patamar de aproximadamente US$ 500 por tonelada no mercado internacional. Ao mesmo tempo, o petróleo ultrapassou US$ 80 por barril, elevando o custo do diesel utilizado no transporte de insumos e alimentos.
O impacto se estende para a logística do agronegócio. De acordo com dados da Confederação Nacional do Transporte, o frete pode representar até 30% do custo logístico no escoamento de grãos em longas distâncias, o que amplia a pressão sobre o preço final da produção agrícola.

Com insumos e transporte mais caros, os reflexos tendem a alcançar diversas cadeias produtivas. Fertilizantes mais caros elevam o custo de produção de culturas como soja e milho, que são base da alimentação animal. Esse movimento pode afetar o preço de proteínas como carnes, ovos e leite.
Além disso, o diesel mais caro impacta diretamente o transporte de alimentos perecíveis, como hortifrúti, e também de produtos industrializados. Como os alimentos possuem peso relevante na composição do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), choques prolongados nos custos podem influenciar a inflação.
Segundo o especialista em gestão tributária para o agronegócio Altair Heitor, o impacto costuma chegar ao consumidor com algum atraso, mas tende a ocorrer quando o aumento dos custos se prolonga. “O produtor absorve parte do aumento inicialmente, mas a margem do agro não suporta choques prolongados. Em algum momento, o reajuste chega ao consumidor”, afirma.
Caso o conflito se estenda por um período mais longo, o risco não se limita ao aumento de preços. A redução na oferta de fertilizantes nitrogenados pode comprometer o planejamento agrícola, afetar a produtividade e pressionar ainda mais os custos da produção.
Diante desse cenário, especialistas destacam que estratégias como planejamento antecipado de compras e diversificação de fornecedores podem ajudar produtores e empresas do setor a reduzir a exposição às oscilações do mercado internacional de insumos.
Adaptado pela equipe Feed&Food
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