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Conflito no Oriente Médio pode redirecionar exportações brasileiras e pressionar mercado de frango na Europa

Setor avícola polonês alerta para aumento da concorrência e possível queda de preços diante de mudanças no comércio global

exportação de frango Europa

O avanço do conflito no Oriente Médio começa a gerar impactos indiretos no comércio global de proteína animal, com reflexos já percebidos pelo setor avícola europeu. Produtores da Polônia avaliam que a instabilidade na região pode alterar fluxos comerciais e aumentar a concorrência internacional, especialmente com a presença do Brasil em mercados estratégicos.

Segundo Wiesław Różański, presidente da União Polonesa de Produtores e Empregadores da Indústria de Carnes, existe o risco de o Brasil redirecionar suas exportações para outras regiões, como a Ásia, onde já possui forte presença. “Isso poderia prejudicar as exportações e aumentar a concorrência com fornecedores europeus”, afirmou.

O cenário envolve incertezas sobre o acesso a mercados do Oriente Médio, tradicionalmente relevantes para exportadores globais de carne de frango, incluindo Brasil e países da União Europeia.

Histórico de desorganização de mercados

Różański compara a situação atual a episódios anteriores no mercado de proteína animal. Ele cita o caso da suinocultura europeia durante a disseminação da Peste Suína Africana, quando restrições comerciais levaram a um excesso de oferta interna e à queda de preços.

De acordo com o dirigente, um movimento semelhante pode ocorrer caso exportadores brasileiros enfrentem dificuldades para acessar determinados mercados. Nesse contexto, volumes que seriam destinados ao Oriente Médio podem ser redirecionados para outras regiões, aumentando a pressão competitiva.

exportação de frango Europa
Mudanças no comércio global de carne de frango elevam preocupação com excesso de oferta e pressão sobre preços na Europa. Crédito: Reprodução

Brasil no centro da dinâmica global

A preocupação da indústria polonesa se concentra no papel do Brasil como um dos principais exportadores globais de carne de frango. A competitividade do produto brasileiro, aliada à necessidade de reposicionar cargas, pode influenciar diretamente os preços internacionais.

“Devemos lembrar que o frango brasileiro tem preços mais competitivos, e o desejo de recuperar perdas pode reduzir ainda mais os preços”, destacou Różański, indicando possíveis impactos sobre produtores europeus.

O movimento pode intensificar a disputa por mercados já consolidados, especialmente na Ásia e na própria Europa, onde a concorrência tende a se acirrar.

Risco de excesso de oferta na União Europeia

Especialistas apontam que o conflito atual envolve um número maior de países em comparação a outros episódios recentes, ampliando o alcance das possíveis consequências no comércio global.

Com isso, cresce o risco de que produtos que não consigam acesso a mercados árabes acabem sendo direcionados para a União Europeia, elevando a oferta interna e pressionando os preços.

Representantes do setor defendem que autoridades e instituições ligadas à política comercial acompanhem de perto os desdobramentos, já que mudanças nos fluxos globais podem impactar rapidamente a rentabilidade dos produtores europeus.

Fonte: Setor avícola Polonês, adaptado pela equipe Feed&Food

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